Grupo iraniano condena ataque a Salman Rushdie

Pensadores religiosos próximos da Organização de Solidariedade dos Republicanos do Irão condenaram o ataque ao escritor, o apoio implícito do Estado a esse ataque e o fundamentalismo que acompanha alguns correntes do islamismo.

Brian Snyder/Reuters

Um grupo iraniano de pensadores religiosos próximos da Organização de Solidariedade dos Republicanos do Irão considerou o ataque a Salman Rushdie como um “sinal de crise na interpretação fundamentalista do Islão” e criticou as posições da comunicação social próxima da Guarda Revolucionária (IRGC) pelo apoio implícito a esse ataque, referem alguns jornais do país.

O grupo escreveu um comunicado em resposta ao ataque a Salman Rushdie: “Estamos totalmente ao lado das vítimas do terror e não acreditamos no Islão que autoriza esse terror”. A declaração enfatizado que “a interpretação extremista e maldosa do Islão é fundamentalmente diferente da perceção tradicional da grande maioria dos muçulmanos sobre sua religião”.

O documento considera o ataque “um sinal de uma crise na interpretação fundamentalista do Islão, um motivo para desenvolvimentos políticos perigosos no Oriente Médio e uma ferida na face da complexa relação entre o Islão e o Ocidente”.

A Organização de Solidariedade dos Republicanos do Irão, em um comunicado, referindo-se às posições do IRGC e da comunicação próxima do líder máximo do aiatola Ali Khamenei, disse que o apoio de “alguns círculos influentes na estrutura de poder iraniana” ao ataque a Salman Rushdie mostra o implícito apoio da República Islâmica a este ataque.

Referindo-se à fatwa emitida por Ruhollah Khomeini pedindo o assassinato de Salman Rushdie, a organização escreveu que “as flechas mortais deste jurista, o promotor do discurso do fundamentalismo islâmico de orientação xiita ainda estão a mover-se no céu do mundo e estão a sufocar e a arruinar vidas humanas”.

Entretanto, alguns jornais iranianos especulam este domingo sobre um alegado plano dos Estados Unidos para incriminar a república islâmica – sendo por isso o atentado da autoria dos Estados Unidos. O jornal ultraconservador “Javan” sugeriu que “Talvez um jovem muçulmano, que nem tivesse nascido quando Salman Rushdie escreveu o seu livro satânico quisesse vingar-se dele”; “Outro cenário é que os Estados Unidos provavelmente querem espalhar a islamofobia pelo mundo”.

O diário “Kayhan”, que no sábado saudou o atacante como “corajoso e consciente do dever”, sugeriu que ataques a outras figuras poderiam ser possíveis. “O ataque a Salman Rushdie destacou a fraqueza dos serviços secretos dos Estados Unidos e demonstrou que mesmo medidas de segurança rígidas não podem impedir ataques”.

Recorde-se que, em janeiro, o atual presidente do Irão, Ebrahim Raisi, prometeu vingança contra o ex-presidente Donald Trump, a menos que seja julgado pelo assassinato do comandante Qasem Soleimani (IRGC), morto com um ataque de drones norte-americanos no aeroporto de Bagdad (Iraque) em janeiro de 2020.

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