Grupo Pestana encerrou 2021 com lucros de 23 milhões de euros

Grupo hoteleiro contrariou assim os prejuízos de 32 milhões de euros verificados no ano anterior e pretende contratar mil colaboradores até ao verão.

Cristina Bernardo

Depois de ter registado prejuízos de 32 milhões de euros no ano de 2020, o Grupo Pestana voltou a verificar lucros no ano passado, tendo apresentado um resultado positivo de 23 milhões de euros. Os dados foram divulgados por José Theotónio, CEO do grupo esta quarta-feira, 18 de maio.

“Em 2021 tivemos um resultado de 45% a 46% do que foi em 2019. Tinhamos como objetivo voltar a ter resultados positivos e conseguimos ter 23 milhões de euros de lucro, contra os menos 32 milhões do ano passado. Não é uma grande rentabilidade, mas atendendo às circunstâncias é um resultado notável”, começou por explicar.

O grupo hoteleiro teve em abril de 2022, o primeiro mês em que ficou acima dos valores pré-pandemia. Um cenário que se explica com a pouca atividade registada no anterior, devido à pandemia. “Até final de maio de 2021 a hotelaria esteve praticamente fechada. A atividade acabou por começar a recuperar em julho, com bons meses em agosto e setembro. Em novembro a nova vaga de Covid-19 fez tudo andar novamente para trás”, referiu José Theotónio.

Apesar disso, o Grupo Pestana conseguiu também aumentar o EBITDA (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) que no ano passado tinha sido de 33.7 milhões, e em 2021 subiu para 92 milhões.

O CEO destacou que face à pandemia não houve grande pressa em terminar o nosso pipeline. “As obras foram acabando, mas devido à pandemia não os abríamos. Abrimos o 100º hotel em fevereiro de 2020 e teve 39 dias aberto, e depois fechou um ano”, realçou.

Analisando o arranque de 2022, o CEO sublinho que os meses de janeiro e fevereiro ainda foram difíceis. “Abril foi o primeiro mês em que ficámos acima dos valores de 2019. Fomos surpreendidos pela positiva e o mesmo para maio e junho. As perspetivas que existem são boas, mas não nos podemos esquecer que ainda existem umas nuvens negras na atividade turística, uma pandemia que ainda não terminou e agora a guerra na Ucrânia”, afirmou.

Sobre a abertura das noves unidades hoteleiras no estrangeiro que representam um investimento total de 112 milhões de euros. José Theotónio destacou o projeto de Newark, resultado de um investimento de uma família luso-americana que depois entregará a gestão ao Grupo Pestana. “Vai demorar mais um ano e meio devido à pandemia. O projeto de Paris está aprovado e começaremos a construção no final deste ano, será o Pestana CR7”, referiu. Por sua vez, a unidade hoteleira em Marrocos, Pestana CR7 Marraquexe abriram no início de 2022. O pipeline de hotelaria em construção, no mercado nacional é de cerca de 10 milhões de euros.

Sobre os clientes internacionais que mais reservas efetuam nas unidades do Grupo Pestana, os clientes do Reino Unido e Alemanha são os mais predominantes, mas existe cada vez mais diversificação.

“Os irlandeses voltaram, os escandinavos estavam a voltar em força, mas a guerra reduziu as viagens dessa zona da Europa. Nota-se uma retoma nos EUA para o Porto e Lisboa, mas ainda a níveis inferiores aos de 2019, cerca de 50%. O mercado francês e brasileiro também estão a começar a recuperar. O mercado nacional foi muito importante durante a pandemia e acredito que vai continuar a ser”, explicou.

Outra área de investimento do Grupo Pestana é o sector imobiliário, onde já estão também projetos na calha. “Depois do Pestana Troia, temos os projetos da Comporta e Brejos que estão todos vendidos. A seguir teremos um projeto em Porto Covo e na Madeira o Pestana Aqua. Temos ainda um projeto em Silves que está ser comercializado”, destacou o CEO.

O sector imobiliário que em 2021 teve um peso de 40% nas receitas do grupo, mas que José Theotónio espera que quando a hotelaria retomar represente 20% a 30% das receitas.

Uma das mudanças verificadas com a pandemia foi a forma como as pessoas começaram a fazer as marcações das viagens. “Estão a marcar viagens cada vez mais em cima da hora. Temos grupos que marcam na última semana ou de 15 em 15 dias. Antes as reservas eram marcadas com seis meses a um ano de antecedência”, realçou.

Em relação a alterações dos preços, o responsável indicou que no mercado em geral não há um crescimento significativo para os clientes.

No que diz respeito à área dos recursos humanos do Grupo Pestana, o CEO assumiu a necessidade reforçar o grupo com mil pessoas até ao verão. “Destas mil já recrutamos 480. Temos regalias para além do ordenado, como o seguro de saúde, temos o Pestana Academy para as pessoas se formarem. Poderem trabalhar nos nossos hotéis internacionais. Durante a pandemia ninguém com ordenados acima de três mil euros não perderam rendimentos”, salientou.

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