Grupo Porto Editora anuncia livros a lançar no 1.º semestre

Já são conhecidas as novidades literárias do Grupo Porto Editora para os primeiros seis meses do ano. Entre poesia, romance histórico, ficção e não-ficção, há muitos mundos a desbravar. Como a poesia de Luís Sepúlveda.

Cristina Bernardo

Na Fundação Cidade de Lisboa, ao Campo Grande, Porto Editora, Assírio & Alvim, Livros do Brasil e Ideias de Ler anunciaram mais de uma centena de títulos a lançar no primeiro semestre de 2023 pelas diferentes chancelas que integram o Grupo Porto Editora.

O diretor editorial Vasco David tomou a palavra para destacar a homenagem que a Porto Editora fará a Luis Sepúlveda pela lente de Daniel Mordzinski em “Mundo Sepúlveda”. Uma celebração de 30 anos de amizade, que combina viagens, histórias e, claro, imagens do fotógrafo, em diálogo com as palavras do autor chileno falecido em 2020, vítima de Covid-19.  E se não é imediato pensar em Sepúlveda enquanto poeta, para colmatar essa lacuna será lançado, pela primeira vez em Portugal, a 9 de fevereiro, um livro ilustrativo dessa faceta do autor chileno. “O Caçador Descuidado: Poesia Reunida (1967-2016)”, estará disponível em fevereiro em edição bilingue, com prefácio de José Luís Peixoto.

 

 

Com os olhos ainda postos no outro lado do Atlântico, chegará às livrarias “Dor Fantasma”, do brasileiro Rafael Gallo, o romance vencedor do Prémio Literário José Saramago 2022. Rómulo Castelo é o protagonista deste romance. Pianista virtuoso, dedica-se inteiramente a buscar a perfeição na sua arte, ensaiando incessantemente aquela que é considerada a obra intocável de Lizt, o “Rondeau Fantastique”. Contudo, a vida tem outros planos para Castelo e, de um dia para o outro, incapaz de se reinventar na adversidade, deixa escapar entre os dedos aquele que julgava ser o seu lugar por direito no pódio do mundo.

 

 

Leonardo Padura e o seu tenente Mario Conde regressam em maio. Havana é o palco desta trama que chama à colação diversos acontecimentos históricos que vão fazer Cuba tremer no ano de 2016. E se a visita de Barack Obama, no que se chamou o “Degelo cubano”, um concerto dos Rolling Stones e um desfile da Chanel servem de pano de fundo a “Pessoas Decentes”, criam a ilusão de que a ilha está pronta a sair do Castrismo, a realidade prossegue sem tréguas. E agora o spoiler alert: Mário Conde será chamado a resolver um homicídio.

Não-ficção entre a reinvenção do capitalismo e a desinformação

A chancela Ideias de Ler publica em fevereiro a Prémio Nobel da Paz 2021, a filipina Maria Ressa, CEO, cofundadora e presidente do Rappler, o principal site de notícias das Filipinas, considerada uma das 100 Mulheres Mais Influentes do Século, em 2020, pela revista “Time” e galardoada com o Prémio Liberdade de Imprensa da Unesco em 2021. “Como fazer frente a um ditador” – que leva o subtítulo A luta pelo nosso futuro – é o resultado do seu trabalho jornalístico para desmontar a rede de desinformação criada pelo presidente Duterte nas Filipinas.

 

 

Em abril, a Ideias de Ler propõe “Reimagining Capitalism in a World on Fire”, de Rebecca Henderson, uma das mais importantes líderes mundiais em mudança organizacional e estratégica. Aqui traça a sua visão para se repensar o capitalismo de mercado livre, sem o renegar, para que seja mais do que um sistema que gera prosperidade para se afirmar como paladino do ambiente, da justiça social e das instituições democráticas. Livro finalista do “Financial Times” & McKinsey Business Book of the Year 2020.

Autores portugueses no Romance Histórico

O romance de estreia de Bruno Paixão, “Os segredos de Juvenal Papisco”, que venceu a 2ª edição do Prémio Literário Luís Miguel Rocha, é lançado em final de fevereiro e traz-nos uma metáfora social de apurado sentido caricatural, que combina urdiduras políticas e paixões com as fraquezas da justiça num caldo de mezinhas para responder àquilo que a medicina não responde.

 

 

Em março, a Porto Editora publica a segunda e última parte da saga dos Zarco, “A Aldeia das Almas Desaparecidas”, de Richard Zimler, com o subtítulo Aquilo que Procuramos Está Sempre à Nossa Procura. Está também previsto outro regresso às narrativas históricas, desta feita de João Pedro Marques, com “Até ao Fim da Terra”, situado em plenas invasões francesas, quando o exército de Massena invade Portugal e se aproxima da serra do Buçaco.

Ainda em março, estreia-se na escrita ficcional José Gomes Mendes, ex-Secretário de Estado e Deputado, com “A Célula de Sheffield” um romance entre o policial e o suspense que, nas palavras da editora Paula Ventura é verdadeiramente “viciante” e cuja narrativa viaja pelo mundo do futebol, do terrorismo e da política entre dois continentes. Maio traz na bagagem “A morte e o pinguim”, aquela que é considerada a obra-prima de Andrei Kurkov, quiçá o mais importante escritor ucraniano contemporâneo. Uma comédia negra que retrata a situação na Ucrânia na era pós-soviética, onde a corrupção falava mais alto.

Céline: uma reedição e uma revelação

A coleção “Dois Mundos”, da Livros do Brasil, traz-nos já em janeiro “O Jovem”, de Annie Ernaux, o inédito revelado no ano em que recebeu o Prémio Nobel de Literatura, relata a paixão da autora com um homem 30 anos mais novo. Em março, será editado “Memória de Rapariga”, no qual Ernaux regressa ao verão de 1958, aquele em que, numa colónia de férias, pela primeira vez passou a noite com um homem.

Louis-Ferdinand Céline estará em destaque, primeiro com a reedição de “Morte a Crédito” – obra de destaque na literatura francesa, publicado originalmente em 1936 e traduzido para português por Luiza Neto Jorge – e o inédito “Guerra”, revelado em 2022, volvidos mais de 80 anos sobre a sua escrita.

 

 

Mundo em acelerada mudança

Tiago Forte, um dos mais reconhecidos especialistas mundiais em produtividade, escreveu um guia que procura ajudar-nos a criar o nosso próprio sistema pessoal para gerir a avalancha de informação a que temos acesso e, como tal, geradora de stresse. Em “Building a second brain”, o autor com raízes brasileiras sugere a criação de um “segundo cérebro” que ajude a decifrar, sistematizar e memorizar o que consideramos útil e necessário. Chega às livrarias em junho.

Luiza Neto Jorge de regresso aos escaparates

Luiza Neto Jorge, a poetisa que, desde 1960, abriu novos caminhos na poesia portuguesa, será editada pela Assírio & Alvim, num volume que reúne toda a sua poesia e que amplia a antiga recolha com textos inéditos e dispersos recém-recolhidos – “Poesia” regressa aos escaparates em março. Paralelamente, será lançado o primeiro de dois volumes evocando toda a “Obra Poética” de Pedro Homem de Mello, um dos mais importantes poetas da Geração da Presença, com organização de Luis Manuel Gaspar.

A publicação de “Canção Derruída” assinala a estreia em Portugal da brasileira Mar Becker, obra que revisita os poemas das duas coletâneas anteriores – “A Mulher Submersa” (2022) e “Sal” (2020), iniciativa que pretende criar uma ponte transatlântica com o Assírio Brasil e trazer a nova geração de poetas brasileiros para o mercado editorial português.

 

 

Audiolivros, uma tendência em crescendo

A Porto Editora começou a publicar audiolivros em 2021, acompanhando a crescente procura pelo formato em Portugal naquela que é uma tendência à escala mundial. Neste momento, conta com 18 títulos publicados, entre os quais “A Viúva”, de José Saramago, e “Violeta”, de Isabel Allende, estando prevista a publicação no primeiro semestre do ano de mais de uma dezena de títulos, entre ficção e não ficção, de autores nacionais ou internacionais.

Destaque para “O filho de mil homens”, com narração do autor Valter Hugo Mãe, “Diário de Anne Frank”, na voz da cantora Ana Vieira, “Último Olhar”, o primeiro romance inédito de Miguel Sousa Tavares na Porto Editora; e também “Como evitar um desastre climático”, o bestseller de Bill Gates na voz de Rui Unas, que será narrado por José Mariño, e “Memorial do Convento”, de José Saramago, narrado por Rui Portulez.

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