Grupo Santander com lucros a subirem 58% para 2.543 milhões no trimestre

A presidente do Santander, Ana Botín, destacou que o primeiro trimestre do ano foi “muito bom”, com crescimento do número de clientes e aumento de receitas de 8%, melhoria da eficiência e boa qualidade do crédito.

O Banco Santander encerrou o primeiro trimestre do ano com um lucro de 2.543 milhões de euros, 58% a mais que no mesmo período do ano anterior, quando tinha reportado um encargo de 530 milhões com custos de reestruturação.

O banco liderado por Ana Botín melhora assim significativamente os lucros obtidos antes da Covid, que foram de 1.840 milhões nos primeiros três meses de 2019.

O grupo destaca que no primeiro trimestre do ano conquistou sete milhões de clientes (já soma 155 milhões) e aumentou as receitas em 8%.

O Santander obteve uma margem financeira de 8.855 milhões, o que representa um aumento de 11,3% anual, impulsionada pelo aumento das taxas de juros em alguns dos mercados em que opera, como Brasil, México ou Reino Unido, e comissões líquidas de 2.812 milhões, 10,4% mais do que um ano antes, graças ao crescimento de produtos de maior valor agregado. A margem bruta manteve-se assim em 12.305 milhões de euros, subindo 8%. O banco destaca que a força do grupo se refletiu em todas as métricas de rentabilidade, com retorno sobre capital tangível (ROTE) de 14,2%.

O grupo explica que os resultados atuais permitiram melhorar a rentabilidade do banco, com uma rentabilidade do capital tangível (RoTE) a ficar acima do custo de capital, e um lucro por ação (EPS) de 0,14 euros, mais 22% do que no primeiro trimestre de 2021. O valor contabilístico tangível por ação situou-se em 4,29 euros em março, mais 12%. Com os dividendos este valor cresceu 13% nos últimos doze meses. Por outro lado, a rentabilidade líquida dos capitais próprios (ROE) atingiu 11,49%, 1,69 ponto percentual a mais do que há um ano.

O banco destaca também o rácio de crédito em incumprimento (malparado) sobre o total da carteira foi de 3,26%, seis pontos base acima do primeiro trimestre de 2021 após a aplicação de uma nova definição de incumprimento, enquanto o rácio de cobertura permaneceu em 69%.

A presidente do Santander, Ana Botín, destacou que o primeiro trimestre do ano foi “muito bom”, com crescimento do número de clientes e aumento de receitas de 8%, melhoria da eficiência e boa qualidade do crédito. A “nossa diversificação geográfica e de negócios é fundamental para o crescimento e mantém-nos como um dos bancos mais eficientes e resilientes entre nossos concorrentes, com rentabilidade claramente acima do custo de capital”, disse a presidente não executiva.

Da mesma forma, afirmou que, embora os efeitos da inflação afetem o crescimento económico mundial com impactos diferentes em cada região e negócio, o banco reafirma seus objetivos para 2022 já anunciados em fevereiro passado, que incluem aumentar as receitas em cerca de 5%; melhorar o rácio de eficiência em um ponto percentual para 45%; atingir um RoTE superior a 13%; manter um rácio de capital CET1 (fully loaded) de 12%; e gerar um crescimento tanto no lucro por ação quanto na soma do valor patrimonial líquido por ação com o dividendo.

No início deste mês, a assembleia geral de acionistas do banco aprovou o segundo pagamento de dividendos em dinheiro como parte da remuneração acionista imputada aos resultados de 2021. Desta forma, a partir de 2 de maio de 2022, o banco distribuiu um dividendo em dinheiro de 5,15 cêntimos de euro. Juntamente com o pagamento efetuado em novembro de 2021, o dividendo total em dinheiro imputado aos resultados do último exercício será de 10 cêntimos de euro por ação.

Se forem incluídas as recompras de ações, a remuneração total dos acionistas sobre os resultados de 2021 chega a 3,4 mil milhões de euros, o que equivaleria a um retorno de 6%. Até 2022, a intenção do conselho é distribuir aproximadamente 40% do lucro ordinário, entre dividendos em dinheiro e recompras de ações, tem dito o Santander.

Em termos de capital, o rácio de CET1 (na versão fully loaded) ficou em 12,12% e a meta do banco espanhol é chegar a 12% no futuro. Após descontar o impacto da aquisição da Amhrest Pierpont, o rácio CET1 pro forma seria de 12,05%.

 

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