Grupo Wagner admite interferência nas eleições norte-americanas

O empresário russo Yevgeny Prigozhin promete, um dia antes das eleições intercalares, que continuará intrometendo no destino dos Estados Unidos.

Al Drago/Pool via Lusa

Um dia antes de os Estados Unidos votarem nas eleições de meio de mandato, o fundador do Grupo Wagner, uma empresa paramilitar privada russa com origem próxima do regime de Vladimir Putin – e que tem estado muito ativo no palco da guerra da Ucrânia – admitiu ter interferido nas eleições americanas e prometeu continuar.

“Interferimos, estamos a interferir e continuaremos a interferir – com cuidado, precisão, cirurgicamente e à nossa maneira, como sabemos fazer”, disse Yevgeny Prigozhin esta segunda-feira em comentários da sua empresa de catering, Concord, que trabalha para o Kremlin, na rede social VK, o equivalente russo do Facebook), citados por vários jornais.

Recorde-se que uma acusação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos de 2018 afirmava que o empresário estaria envolvido numa campanha para semear a divisões no eleitorado dos Estados Unidos durante a campanha eleitoral de 2016, usando o Facebook e o Twitter.

O PMC Wagner Centre, projeto do empresário e fundador do Grupo Wagner Yevgeny Prigozhin – também conhecido pela alcunha de ‘cozinheiro do Kremlin’ exatamente por causa da Concord – será o centro das suas atividades nas redes sociais. Na passada sexta-feira, o grupo abriu um centro de tecnologia de defesa em São Petersburgo, cidade de onde é originário, assumindo um papel cada vez mais público na política de defesa da Rússia.

Em julho, o Departamento de Estado dos Estados Unidos ofereceu uma recompensa de dez milhões de dólares por informações sobre Prigozhin e as suas conexões com as interferências eleitorais no país. O empresário faz parte das listas das sanções individuais dos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia.

O Grupo Wagner tem-se notabilizado por estar presente em todos os cenários de conflito onde o Kremlin tem interesses diretos ou indiretos. A Síria é um exemplo, mas mercenários do grupo têm sido identificados em vários palcos de crise um pouco por toda a África. No ano passado, surgiram notícias de que o grupo poderia ter estado em Moçambique, combatendo a insurgência islâmica no norte do país, mas terá sido derrotada.

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