“Guerra de supervisores? Não existe”, garante presidente da CMVM

O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares, afastou o cenário de uma “guerra de supervisores”, ainda que admitindo que “há muito a fazer” ao nível da articulação entre as autoridades. “Sobre a teoria da ‘guerra dos supervisores’ de que se tem falado, gostaria de dizer que não ter a mesma […]

O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares, afastou o cenário de uma “guerra de supervisores”, ainda que admitindo que “há muito a fazer” ao nível da articulação entre as autoridades.

“Sobre a teoria da ‘guerra dos supervisores’ de que se tem falado, gostaria de dizer que não ter a mesma opinião, não significa que haja uma guerra”, afirmou Tavares durante a sua audição na comissão de inquérito parlamentar à gestão do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES).

Segundo o líder do supervisor do mercado de capitais, “o importante é que a diferença de opiniões seja dirimida atempadamente”.

Ainda assim, Tavares considerou que “há muito a fazer ao nível do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros” e que “o próprio Conselho Nacional de Estabilidade Financeira tem mais a fazer”.

O primeiro órgão integra o Banco de Portugal, a CMVM e o Instituto de Seguros de Portugal (ISP), enquanto o segundo engloba ainda o Governo, representado através de elementos do Ministério das Finanças, além dos três reguladores.

“Há alturas em que as situações são tão dramáticas que as entidades podem achar que não é oportuno divulgar a informação”, sublinhou Tavares, acrescentando que, na sua opinião, no futuro “isto não voltaria a acontecer como aconteceu”.

Mesmo assim, disse esperar que não fique na opinião pública “a sensação de que não foi feito tudo o que podia ter sido feito para proteger os investidores” que tinham títulos do BES.

“A precipitação de acontecimentos naquele mês final terá provocado alguma descoordenação, que não me custa reconhecer que poderia e deveria ter sido evitada”, justificou.

E concluiu: “Assumo todas as minhas responsabilidades, mas não as que não tenho”.

A comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES arrancou na segunda-feira e no total serão ouvidas cerca de 130 personalidades ligadas direta e indiretamente ao assunto.

Carlos Tavares, a ser ouvido desde as 15:00, é a segunda personalidade que presta hoje esclarecimentos, depois de o presidente do Instituto de Seguros de Portugal (ISP), José Almaça, ter estado no parlamento hoje de manhã.

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