Guerra do petróleo: EUA vencem primeira batalha

O anúnico de corte na produção da OPEP levou o preço do barril de ‘brent’ a escalar 17% em duas sessões. Os analistas acreditam que preço estabilize nos 60 dólares em 2017.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) anunciou um corte de 1,2 milhões de barris por dia esta quarta-feira, aos quais deverá somar-se uma redução de mais 600.000 barris por parte de países que não integram o bloco, como é o caso da Rússia e do México. O mercado reagiu em alta, com o preço do barril de ‘brent’ a escalar 16,9% nas duas últimas sessões, para máximos de Julho de 2015. À recuperação do preço do petróleo, há ainda que somar a recente força do dólar, uma nova dinâmica que promete prejudicar os consumidores europeus em 2017. Para já, ganham os produtores norte-americanos que aproveitam o ‘rally’ para garantir receitas em 2017, através de operações de ‘hedging’, em contramão com os interesses da OPEP.

O corte total da produção anunciado, 1,8 milhões barris por dia, representa cerca de 1% da produção mundial, o que deverá ser apenas suficiente para eliminar o excesso de oferta. Alguns analistas alertam no entanto para o previsível aumento da produção, de países como os EUA, na sequência do aumento do preço da matéria-prima, o que tornaria o atual corte inconsequente para efeitos de equilíbrio de mercado e aumento do preço da matéria-prima. O RBC estima o preço médio do crude em 56,40 dólares em 2017, em linha com os analistas da Wells Fargo que estimam um intervalo entre os 55 e os 60 dólares por barril, enquanto a ANZ Research coloca o preço do barril nos 60 dólares.

O crude seguia ontem nos 51,57 dólares, e o ‘brent’, que serve de referência para a Europa, cotava em 54,24 dólares, 96,7% e 94,5% acima dos mínimos atingidos no início do ano, respetivamente. Mas para os consumidores europeus a fatura promete ficar mais cara. Quando medido o preço do barril de ‘brent’ em euros, então o preço da matéria-prima já escalou 100% desde os mínimos, ou seja, duplicou de valor em menos de um ano. Em causa está a força do dólar face ao euro, um movimento que ganhou tração desde as eleições norte-americanas e que torna as importações em dólares mais caras para os países da moeda única. Desde 8 de Novembro, o euro já perdeu 3,6% face ao dólar.

EUA 1 – OPEP 0

Em menos de dois anos, o preço do barril de ‘brent’ caiu de xx dólares para xx dólares, no início de 2016. Foi o resultado de uma verdadeira ‘guerra fria’, comprada pela Arábia Saudita desde 2014, na tentativa de proteger a sua quota de mercado face à nova produção de petróleo de xisto nos EUA. Ao recusar qualquer corte de produção no seio da OPEP perante o excesso de oferta no mercado, os sauditas afundavam assim intencionalmente o preço da matéria-prima numa tentativa de tornar a produção norte-americana, cujos custos de extração são superiores, insustentáveis. Mas o mais recente acordo, que alinha interesses de velhos inimigos, como a Arábia Saudita, o Irão e a Rússia, parece ser uma boa medida do ponto crítico a que chegaram estas economias.

O valor das exportações dos países que integram a OPEP, altamente dependenetes destas receitas, caíram cerca de 50% em 2015. Uma quebra de receita que atirou os défices orçamentais para valores incomportáveis. O défice saudita passou de 3,4% do PIB em 2014 para 15,9%, no Iraque subiu de 5,6% para 13,7%, enquanto os Emirados Árabes Unidos que registavam um superavit de 5% em 2014, fecharam 2015 com um défice de 2,1%.

Apesar de beneficiarem de menores custos de produção, a maioria dos países da OPEP apresenta preços de ‘breakeven’ (preço do barril de petróleo que permite equilibrar as contas públicas) superiores aos dos EUA (ver infografia). Na Arábia Saudita, por exemplo, o petróleo é responsável pelo financiamento da família real e de um conjunto alargado de programas sociais, enquanto na Nigéria, Iraque ou Líbia é o petróleo que financia a guerra contra o Boko Haram ou o Estado Islâmico.

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