Guerra na Ucrânia faz surgir novo movimento de não-alinhados

Personalidades como o antigo ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis, o ex-líder dos trabalhistas britânicos, Jeremy Corbyn, e a jornalista e escritora turca Ece Temelkuran lançaram uma declaração sobre a guerra.

Yves Herman/Reuters

Face ao estreitamento das notícias sobre a invasão russa da Ucrânia – em que as evidências que emanam tanto de um lado como do outro dos combates tendem a deixar de lado todas as explicações e todas as realidades, um conjunto de personalidades decidiu lançar esta sexta-feira 13 de maio uma declaração em que recusam o regresso da lógica dos dois mundos em confronto.

O antigo ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis, o ex-líder dos trabalhistas britânicos, Jeremy Corbyn, e a jornalista e escritora turca Ece Temelkuran surgem como os primeiros subscritores da declaração, onde se pode ler que “a guerra na Ucrânia apela ao apoio às vítimas da guerra e a um novo Movimento Não-Alinhado”

“Estamos com o povo da Ucrânia, tal como estamos com todas as pessoas que sofrem invasões, deslocações e ocupações. Exigimos um cessar-fogo imediato, a retirada das forças russas e um tratado de paz abrangente garantido pela União Europeia, os Estados Unidos e a Rússia no contexto das Nações Unidas”, refere o texto.

Do mesmo modo, “exigimos o respeito pelo Direito Internacional e por todos os refugiados, que devem ter os seus direitos protegidos e terem acesso a um lugar seguro, independentemente da sua etnia, religião, etc”.

Depois das generalidades comummente aceites, o texto refere que “opomo-nos à divisão do mundo em blocos concorrentes que investem no militarismo desenfreado, em armas hiper-modernas de destruição maciça e numa nova Guerra Fria”.

“Acreditamos que uma paz duradoura só pode ser alcançada através da substituição de todos os blocos militares por um quadro de segurança internacional inclusivo que desanime as tensões, amplie as liberdades, lute contra a pobreza, limite a exploração, prossiga a justiça social e ambiental e ponha fim ao domínio de um país por outro”, continua o documento.

Com este conjunto de ideias em mente, “apelamos aos democratas de todo o mundo a unir forças num novo Movimento Não-Alinhado”. Neste contexto, “vemos as nações não-alinhadas, democráticas e soberanas a trabalhar em conjunto por um caminho para uma paz duradoura e um mundo que possa evitar a catástrofe climática e legar à próxima geração uma oportunidade decente de criar as condições para uma prosperidade globalmente partilhada”.

Os signatários exortam os interessados a subscreverem o texto, que tem como essência a Progressive International, um projeto à escala global que reúne ativistas, pensadores e empreendedores interessados em desenvolver os princípios e políticas de uma nova ordem internacional. Está associado ao DiEM 25 um movimento político pan-europeu lançado por Yanis Varoufakis com o objetivo de democratizar as instituições europeias.

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“O cinema vai ficar calado ou vai falar sobre isto? Se houver um ditador, se houver uma guerra pela liberdade, novamente, tudo depende da nossa unidade. O cinema pode ficar de fora?”, questionou. Por fim, disse que a sua crença é a mesma do clássico cinematográfico: “a liberdade não morrerá”.

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Ivan Kuliakd deve também devolver a medalha e reembolsar o prémio em dinheiro de 500 francos suíços (cerca de 477 euros) e pagar uma contribuição dos custos do processo no valor de 2.000 francos suíços (1908 euros). O russo pode pedir o recurso nos próximos 21 dias.
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