Guiné Equatorial “envergonha” a CPLP, diz antigo embaixador do Brasil

“É um país que nada fez na prática para merecer essa concessão a não ser introduzir às pressas o português como língua oficial, ao lado do espanhol e do francês, e acenar com os seus petrodólares de novo-rico”, acusa Lauro Moreira.

Lauro Moreira, antigo embaixador do Brasil junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), considera que a entrada da Guiné Equatorial no bloco lusófono é uma questão que envergonha a organização.

O atual presidente do conselho diretivo do Observatório da Língua Portuguesa (OLP) afirma que “este país [Guiné Equatorial] é pária na comunidade internacional”. “É uma vergonha. Se não fossem suficientes os problemas que nós temos internamente, agora temos um problema que é pavoroso, porque é uma questão que envergonha a CPLP”, acrescenta.

A Guiné Equatorial é um antigo protetorado espanhol, governado por Teodoro Obiang desde 1979. De acordo com a revista Forbes, Obiang e membros da sua família que têm uma das maiores fortunas em África. Ao mesmo tempo, enfrentam processos em alguns países por corrupção, fraude e branqueamento de capitais. Teodoro Obiang é ainda acusado de violação dos direitos humanos e repreendido pela comunidade internacional pelo seu regime ditatorial, ao estilo norte-coreano.

“Teodoro Obiang reina em absoluto sobre um país que flutua hoje em petróleo e sobre uma população naufragada na maior miséria”, acusa Lauro Moreira.

O diplomata diz ainda que a Guiné Equatorial é “um país desconsiderado pela comunidade internacional, isolado pela língua, cuja história, cultura e comportamento nada tem a ver com os ideais que presidiram a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em 1996”. A população equato-guineense só fala francês, um pouco de espanhol e várias línguas tribais.

Com a entrada da Guiné Equatorial, a CPLP ficou desfigurada afirma Lauro Moreira. “É um país que nada fez na prática para merecer essa concessão a não ser introduzir às pressas o português como língua oficial, ao lado do espanhol e do francês, e acenar com os seus petrodólares de novo-rico”.

Recorde-se que o país aderiu formalmente ao bloco lusófono em 2014, durante a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP em Díli.

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