Gulbenkian investe 600 mil euros em investigação em saúde em Angola, Cabo Verde e Bissau

A fundação explica que os quatro projetos – dois em Angola e um em cada um dos outros países, foram selecionados por um júri internacional, tendo em conta critérios como a relevância, a originalidade, a qualidade da proposta apresentada e o impacto previsível no desenvolvimento de capacidades pessoais do candidato e da instituição.

A Fundação Gulbenkian anunciou hoje um investimento de 600 mil euros em quatro projetos de investigação em saúde nas áreas do cancro, malária e VIH, em Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau.

Em comunicado, a fundação, sediada em Lisboa, explica que os quatro projetos – dois em Angola e um em cada um dos outros países, foram selecionados por um júri internacional, tendo em conta critérios como a relevância, a originalidade, a qualidade da proposta apresentada e o impacto previsível no desenvolvimento de capacidades pessoais do candidato e da instituição.

Os projetos foram os vencedores do programa Envolve Ciência PALOP, iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian que teve como objetivo apoiar o desenvolvimento de carreiras científicas em ciências da saúde de jovens investigadores dos PALOP, na consolidação das suas carreiras científicas nos países de origem, reforçando os sistemas científicos, acrescenta a organização.

Segundo a página eletrónica da Gulbenkian, o programa Envolve Ciência PALOP decorre em duas etapas: na primeira os investigadores selecionados frequentam estágios de oito meses em instituições de acolhimento em Portugal; na segunda desenvolvem um projeto de investigação num dos países africanos de língua portuguesa (PALOP).

Durante os estágios da primeira fase, os investigadores apresentam a sua proposta de Projeto de Investigação em Saúde que é avaliada por um júri internacional e as melhores propostas recebem um apoio para o seu desenvolvimento numa instituição dos PALOP, durante um período de três anos.

Em Cabo Verde, a investigadora Pamela Borges vai desenvolver um projeto iniciado no Instituto Português de Oncologia do Porto, e que será realizado no Hospital Central da Praia Dr. Agostinho Neto, de caracterização clínica, fenótipa e genética do cancro da mama das mulheres cabo-verdianas, no sentido de ajudar os médicos a encontrarem a terapêutica mais eficiente.

A investigadora Cláudia Fançony, que estagiou no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde, da Universidade Minho, vai desenvolver no Instituto Nacional de Investigação em Saúde/Centro de Investigação em Saúde de Angola um projeto que vai explorar as forças opostas que dois fármacos exercem num único alvo do parasita da malária.

Também em Angola, o investigador Cruz Sebastião, que esteve no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, vai explorar os padrões de transmissão e disseminação do VIH, assim como perceber a emergência de mutações de resistência, o impacto nos esquemas de tratamento antirretroviral e o custo relacionado com o tratamento de pacientes com resistência aos antirretrovirais no país.

O outro projeto vencedor será implementado no Projeto Saúde de Bandim, na Guiné-Bissau, e é liderado por Viriato M’bana, que fez estágio no Instituto de Medicina Molecular. O investigador quer perceber como é que a malária leva ao aparecimento do cancro, nomeadamente do linfoma de Burkitt, um cancro pediátrico comum nas zonas endémicas da malária.

 

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