Depois de Putin, Guterres encontra-se com Zelensky em Kiev esta quinta-feira (com áudio)

Esta semana, o português já se encontrou com Vladimir Putin e Sergey Lavrov, mas também com Erdogan, um dos mediadores do conflito, depois ter sido criticado por demorar demasiado a realizar estes encontros pessoais, dois meses levados desde o início da invasão, e por começar a dupla viagem pela Rússia e não pela Ucrânia.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, vai encontrar-se com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky esta quinta-feira em Kiev para conversar sobre a situação do país que foi invadido pela Rússia a 24 de fevereiro. Esta semana, o português já se encontrou com Vladimir Putin e Sergey Lavrov, mas também com Erdogan, um dos mediadores do conflito.

À chegada à capital ucraniana, Guterres disse aos jornalistas que a “prioridade das prioridades” era estabelecer um corredor humanitário a partir da fábrica de Azovstal, em Mariupol, na sexta-feira. Contudo, salvaguardou que “é preciso que estejam garantidas as condições necessárias para o fazer” e que, por isso, não há garantias que se concretize.

Em relação ao processo, adianta que, “neste momento estão a decorrer negociações para averiguar as modalidades concretas para a evacuação, que é muito complexa” e acrescenta que “houve um acordo de princípio com Putin”.

Do seu encontro com o líder russo, Guterres garantiu que deixou claro que, para a ONU, “esta é uma invasão da Ucrânia pela Federação Russa, contrária à Carta das Nações Unidas, que viola a integridade territorial do país e que deve acabar o mais rapidamente possível”.

Por sua vez, Putin reafirmou ao secretário-geral da ONU as motivações para a guerra, desde a proteção de civis à desnazificação, mas disse que espera poder chegar a acordos “por meio de um canal diplomático” embora as conversações com os ucranianos tenham sido interrompidas após os relatos de atrocidades contra civis na cidade ucraniana de Bucha.

Em relação à situação em Mariupol, que descreve como “complicada e trágica”, garantiu que não há mais operações militares russas na cidade sitiada depois de acusações da Ucrânia de que a Rússia continua os bombardeamentos.

Em concreto sobre as visitas a Moscovo e Kiev, o secretário-geral das Nações Unidas disse que considerou que “este era o momento” para tornar mais visível a sua intervenção face à escalada do conflito no leste da Ucrânia e ao falhar do entendimento sobre um cessar-fogo na Páscoa.

Guterres foi tanto criticado por demorar tanto a realizar estes encontros pessoais, dois meses levados desde o início do conflito, como por começar a dupla viagem pela Rússia e não pela Ucrânia.

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