“É uma grande tragédia. (…) Na minha opinião, a única solução é a transferência desses refugiados para o continente e espero que haja solidariedade europeia”, disse Guterres, durante uma entrevista a uma televisão francesa.
“Tem de haver uma partilha de responsabilidades por toda a União Europeia”, concluiu António Guterres, referindo-se à solidariedade com os cerca de 13.000 refugiados que ficaram sem teto, após um violento incêndio na madrugada de quarta-feira, que destruir o campo de Moria.
“Vi uma iniciativa francesa e alemã. Mas acredito que devemos ir mais longe”, acrescentou o secretário-geral da ONU, dizendo ser injusto estar a pedir à Grécia “que resolva todo o problema”.
A Alemanha anunciou, na sexta-feira, que 10 países da União Europeia se comprometeram a receber cerca de 400 migrantes menores desacompanhados que foram evacuados após o incêndio em Lesbos.
“Vivi a crise dos refugiados sírios, como alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (entre 2005 e 2015) e a resposta europeia foi completamente caótica”, lembrou Guterres, referindo a “incapacidade dos países europeus para definirem em conjunto uma metodologia de acolhimento e distribuição de refugiados”.
“Essa falta de coordenação criou este caos, de que os refugiados são as vítimas mais trágicas e de que os populismos e a extrema-direita foram os principais beneficiários”, disse Guterres.