Há menos empresas de ‘insurtech’ mas investimento aumentou quase 40% em 2021

O valor investido nas startups, scale-ups e unicórnios do sector dos seguros ultrapassou os 10 mil milhões de dólares (mil milhões de euros) em todo o mundo, segundo um relatório da NTT Data.

O investimento global em empresas que desenvolvem tecnologia para o sector dos seguros (insurtech) atingiu os 10,1 mil milhões de dólares (9,5 mil milhões de euros) no ano passado, o que representa um um aumento de 38% em relação a 2020, de acordo com o relatório “Insurtech Global Outlook 2022”, elaborado pela japonesa NTT Data.

As insurtechs mundiais receberam 50% do seu financiamento total só nos últimos dois anos, coincidentes com a pandemia de Covid-19, com a Europa a registar um desempenho superior, mantendo-se atrás da América do Norte, que continua na liderança. Já o número de empresas que receberam mais de 100 milhões de dólares (94 milhões de euros) quintuplicou desde 2017.

Ainda assim, o número de negócios fechados caiu do recorde de 393 em 2019, bem como o número de empresas de novas empresas criadas, mesmo nas principais categorias: marketplaces (lojas online), animais de estimação e bem-estar. “O mercado age em função da maturidade e há, sem dúvida, menos inovação”, declara a sexta edição deste relatório. Em 2021, contabilizaram-se 44 empresas fundadas, o que significa uma queda aparatosa face às 177 de 2011 e mesmo às 141 de 2020.

Os autores fazem ainda uma comparação do crescimento da avaliação, nos últimos três anos, das empresas mais bem financiadas, fundadas entre 2013-2015 e entre 2016-2018, e conclui que as mais jovens estão a aumentar a sua avaliação a um ritmo mais rápido do que as outras, sobretudo as que operam na maior economia do mundo. É o caso da Collective Health, da Extend, da BitSight, da Next Insurance ou da Ethos.

“A aceleração do valor das empresas pode dever-se, em parte, a uma maior presença de empresas de capital de risco no sector, combinada com a maturidade do mercado e a crescente apetência pela criação de novos líderes industriais. No entanto, também pode haver o risco de se estar a criar uma nova bolha neste mercado”, lê-se no documento.

“O conhecimento que retiramos de cada um destes relatórios ao longo dos últimos seis anos permite-nos acompanhar de perto os movimentos de transformação da indústria seguradora, ficar a par do que de mais inovador acontece na indústria, o que nos dá a capacidade de aconselhar da melhor forma os nossos clientes a tomarem decisões fundamentadas relativamente a tendências e oportunidades que vão surgindo”, afirma Nuno Albuquerque e Castro, responsável de Seguros da NTT Data Portugal (antiga Everis).

Em 2021, devido ao avanço do processo de vacinação e da recuperação da economia, a dimensão média dos negócios cresceu até atingir a média histórica mais alta por negócio: 41 milhões de dólares (38 milhões de euros). No caso específico do Velho Continente, a presença de capital de risco triplicou a dimensão que tinha em 2015.

“Cerca de 61% das seguradoras estão a utilizar a IoT [Internet of Things, Internet das Coisas], que oferece novas oportunidades de negócio, integrando novos conjuntos de dados para melhorar o atual nível de risco e prevenção de riscos, acompanhando e incentivando mudanças no comportamento dos clientes”, explica a multinacional de consultoria tecnológica.

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