Há sete anos que o desemprego jovem é mais do dobro da taxa global, alerta estudo (com áudio)

Desde 2015 que o desemprego jovem é mais de 2,5 vezes superior ao desemprego total. Livro Branco recomenda nomeadamente reestruturação do sistema produtivo e melhoria da articulação entre o ensino e o mercado laboral.

Os jovens estão numa posição particularmente frágil no mercado de trabalho. Desde 2015 que o desemprego entre estes indivíduos é mais do dobro da taxa geral, e as oportunidades que estão disponíveis tendem a ser mais precárias e associadas a salários baixos. Estas conclusões constam do Livro Branco “Mais e Melhores Empregos para os Jovens”, da autoria da Fundação José Neves, da Observatório do Emprego Jovens e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para Portugal. “O emprego jovem continua a ser de baixa qualidade e esta tendência é acentuada durante as crise económicas”, sublinha esse estudo, que alerta que nem as qualificações têm conseguido proteger os jovens desses riscos.

No que diz respeito ao desemprego, há sete anos que a taxa para os jovens com menos de 25 anos é mais do dobro da taxa total, apesar dos esforços empreendidos pelo Governo. Aliás, durante a crise pandémica, o desemprego jovem “chegou a ser 3,5 vezes superior” à taxa global, destaca o Livro Branco.

E acrescenta que mais de 70% dos empregos que se perderam em Portugal entre 2019 e 2020 eram ocupados por indivíduos de idades mais tenras. “Há vários os motivos por detrás destes números. Por um lado, a diminuição do emprego jovem está relacionada com a disrupção dos sistemas de ensino e dos processos de transição da escola para o mercado de trabalho, que dá origem à especial penalização dos jovens com idades entre os 16 e os 24 anos. Entre estas idades, o desemprego aumentou muito entre os mais qualificados”, é salientado.

Por outro lado, as oportunidades disponíveis para estes trabalhadores também tendem a oferecer condições poucos favoráveis. Antes da crise pandémica, 56% dos jovens com menos de 25 anos tinham contratos a termo certo. Ora, no conjunto do mercado de trabalho, essa fatia estava em 18%, ou seja, os jovens são particularmente afetados por este tipo de vínculos.

A esta situação “somam-se os crónicos salários baixos e a sua estagnação, em termos reais, ao longo da última década”, observa o estudo conhecido esta terça-feira. E até o prémio salarial associado à educação tem vindo a diminuir.

Tudo somado, o Livro Branco conclui que existe uma “divergência entre as expectativas dos jovens e as oportunidades oferecidas pelo mercado de trabalho”. “Existe um verdadeiro desfasamento” entre as competências dos jovens e as profissões que efetivamente exercem, nota o mesmo estudo: 30% dos graduados dos 25 anos 34 anos são considerado sobrequalificados para a profissão que exercem.

Que soluções devem ser adotadas?

Perante este cenário, este Livro Branco identifica as áreas de intervenção prioritárias para a criação de mais e melhores empregos para os jovens.

É nesse âmbito que é defendida, por exemplo, a aposta nos sectores intensivos em conhecimento ou tecnologia. Segundo o estudo da Fundação José Neves, do Observatório do Emprego Jovens e da OIT, nos últimos anos, tem crescido o emprego sobretudo nas atividades pouco intensivas em conhecimento ou tecnologia, que tendem a praticar salários mais baixos e contratos temporários.

Já nos sectores intensivos em conhecimento ou tecnologia (como a programação informática) tendem a ser oferecidas melhores condições. “Neste contexto, a promoção de emprego jovem de qualidade requer, também, uma forte articulação com a política industrial, de inovação e de apoio às empresas, no sentido de promover o crescimento de setores que oferecem melhores condições de trabalho. É importante que as políticas de emprego sejam coerentes com estas áreas das políticas públicas”, sublinha, assim, o Livro Branco.

Por outro lado, os especialistas defendem a melhoria da articulação do sistema de ensino com o mercado de trabalho, o que passaria pela valorização do ensino profissional (que ainda sofrem de “fraca reputação”), mas também pela diversificação das ofertas formativas.

Outra das prioridades identificadas é a valorização dos parceiros sociais, envolvendo-os nomeadamente na gestão do ensino profissional de forma a torná-lo mais atrativo.

Esta análise será apresentada publicamente no próximo ano. Conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República.

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