Há um “caminho longo” a percorrer no envelhecimento ativo, diz a ministra da Coesão Territorial

“Sabemos hoje mais sobre as maleitas dos mais velhos e sabemos como as evitar”, sublinhou Ana Abrunhosa, reiterando que “todos queremos envelhecer com qualidade”.

Cristina Bernardo

A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, disse hoje em Coimbra que Portugal tem ainda “um caminho longo a percorrer” na área do envelhecimento ativo, apesar dos avanços dos últimos anos.

“Não temos uma sociedade preparada para os mais velhos”, admitiu Ana Abrunhosa, ao usar da palavra na sessão de abertura do 9.º Congresso de Envelhecimento Ativo e Saudável, na Sala Afonso Henriques, a antiga igreja do Convento de São Francisco,

Em declarações aos jornalistas, após a sua intervenção, a ministra reiterou que “há um caminho longo a percorrer”, embora se registe “uma evolução extraordinária” neste campo, designadamente ao nível do conhecimento, na tecnologia e na forma como a sociedade se organiza face aos novos desafios do envelhecimento ativo e saudável.

Importa, na sua opinião, “termos uma sociedade no seu dia-a-dia mais preparada”, um dos objetivos do congresso, organizado pelo consórcio Ageing@Coimbra, coordenado pelo professor João Malva, da Universidade de Coimbra, em colaboração com a entidade congénere AgeINfuture.

Na cerimónia inicial, em que também interveio o presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), José Manuel Silva, Ana Abrunhosa defendeu que, “sobretudo num país com recursos limitados”, como Portugal, a solução para o envelhecimento da população passa “por adiar a dependência [dos idosos] e a sobrecarga” do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

José Manuel Silva anunciou que a CMC “vai criar um gabinete de gerontologia” para atuar nesta área, respondendo a “questões que estão intrincadas com todas as políticas” da autarquia.

Para o autarca, vai ser necessário “um envelhecimento que seja também participativo”, com os idosos a assumirem-se como “motores das políticas” a eles dirigidas.

O congresso permite “demonstrar externamente o que de melhor se faz na região”, salientou aos jornalistas, por sua vez, a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDRC), Isabel Damasceno.

A CCDRC, com sede em Coimbra, é uma das entidades mais envolvidas, desde o início, na organização do Congresso de Envelhecimento Ativo e Saudável.

“É um caminho que se tem feito e temos envolvido os cidadãos”, afirmou igualmente o investigador e docente universitário João Malva.

Para o coordenador do Ageing@Coimbra, a solidão das pessoas no processo de envelhecimento “é um problema que tem sido muito negligenciado nas últimas décadas”.

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