Haan, a startup espanhola dos desinfetantes que nasceu antes da pandemia e estima faturar 6 milhões este ano

A marca de Barcelona que começou com os higienizadores de mãos antes de se falar neles está a investir nos cuidados de pele com embalagens sustentáveis. “Encaramos o mercado de beleza em Portugal como uma oportunidade”, dizem os fundadores ao Jornal Económico.

Quem é que tinha um desinfetante no bolso ou na carteira há três anos? Se fizer esta pergunta num grupo de colegas, amigos ou familiares deverão ser poucos os que respondem afirmativamente. Mas foi exatamente nesse negócio, dos higienizadores de mãos, que os empreendedores espanhóis Hugo Rovira e Eric Armengo se lançaram no final de 2018, bem antes do surgimento do novo coronavírus, e criaram a marca Haan, com uma vertente de hidratação e sustentabilidade.

A dupla lançou então uma gama de produtos para desinfetar as mãos, em Barcelona, e em 2019 registou um volume de negócios de 100 mil euros. Em 2020 o mundo vira do avesso por causa da pandemia e a sua faturação passa para os 4 milhões de euros. Hoje, tornou-se uma marca global, presente em 44 países, incluindo Portugal, e está prestes a fechar 2021 com 6 milhões de euros em caixa.

“Em relação ao mercado de beleza em Portugal, a Haan encara como uma oportunidade porque existe muito pouca concorrência no que oferecemos. Assim como os restantes mercados, apercebemo-nos de que a forma como se estava a consumir não era sustentável para o Planeta e decidimos dar a volta à indústria (turn care around), sendo sustentável e ao mesmo tempo doando 20% dos seus lucros para a criação de poços de água potável em comunidades em desenvolvimento”, contam os empreendedores, em declarações enviadas ao Jornal Económico (JE).

O desinfetante de mãos representa a maioria (65%) da quantidade de produtos vendidos pela Haan e 59,2% das receitas totais. Em termos de importância financeira para a empresa, segue-se o creme de mãos (18,7% do volume de negócios), o sabonete líquido de mãos (8,8%) e a pasta de dentes (7,7%).

As embalagens amigas do ambiente e o design colorido são os elementos-chave da marca, que em Portugal é distribuída em exclusivo pela Hasse Healthcare nas farmácias e em mais de 500 espaços comerciais, entre os quais o centro comercial El Corte Inglés.

O mercado português ocupa atualmente o quarto lugar em termos de volume de vendas e o quinto no que diz respeito à compra de recargas – porque parte da diferenciação dos seus produtos é mesmo a embalagem, desenhada para ser reutilizada pelos consumidores.

“Todos os produtos de cuidados pessoais apresentam uma fórmula «limpa», com pelo menos 90% de ingredientes de origem natural, em embalagens de alta qualidade, recicláveis e reutilizáveis, devido ao de poderem ser recarregáveis. Estas embalagens permitem  recarregar o produto até três vezes (ou duas no caso do sabonete líquido para mãos) e, consequentemente, reduzir 89% das emissões de plástico, água e dióxido de carbono”, detalham os fundadores. “O grande objetivo é desenvolver produtos com um design tão apelativo que faça com que os clientes prefiram reutilizar as suas embalagens em vez de as deitar fora e comprar uma nova”, explicam Hugo Rovira e Eric Armengo ao JE.

É verdade que a startup nuestra hermana está a conquistar o mundo com os seus higienizadores, mas pretende ‘limpar’ essa imagem e ser reconhecida como marca de cuidados pessoais, pelo que no terceiro trimestre do próximo ano planeia lançar novos produtos da categoria de cuidados de corpo.

Recomendadas

Prémio “João Vasconcelos – Empreendedor do ano 2022” atribuído aos fundadores da Coverflex

O prémio de “Empreendedor do Ano” foi entregue pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e por Bernardo Correia, ‘country manager’ da Google Portugal, entidade parceira desta edição.

Empresa aeronáutica prevê 6 milhões para começar a produzir aviões em Cabo Verde

“Venho elaborando este projeto já há dois anos, criei a empresa Aeronáutica Checo-Cabo-verdiana, empresa que irá produzir os aviões da Orlican e Air Craft Industries em Cabo Verde”, afirma Mónica Sofia Duarte.

BPI e FCT financiam 20 projetos e nove ideias para o desenvolvimento sustentável no Interior

A edição de 2022 do Programa Promove, uma iniciativa da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI e em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), concedeu apoios a fundo perdido de perto de 3,6 milhões a um total de 20 projetos e nove ideias destinados a impulsionar o desenvolvimento sustentável de regiões do interior de Portugal.
Comentários