Novo Banco: Haitong deixa de financiar o China Minsheng

O China Minsheng Financial deixou de ter fundos para financiar a compra do Novo Banco porque o Haitong Bank era o financiador e saiu do processo. Mas ainda pode voltar.

O China Minsheng Financial está atrasado na entrega das garantias bancárias pedidas pelo Banco de Portugal (BdP) para suportar a compra do Novo Banco, porque o seu principal financiador, o Haitong Bank, retirou-se do processo. No entanto, as duas instituições chinesas estão em negociações para que o Haitong Bank volte a ser financiador, provavelmente com outros investidores. Certo é que o China Minsheng Financial está a tentar encontrar financiamento junto de outros investidores (bancos).

A proposta de compra ao Novo Banco, foi angariada e intermediada pelo Haitong Bank, então sob comando de José Maria Ricciardi, e pressupunha um modelo em que a sociedade ficava com 50%, no âmbito de um aumento de capital em que investia 1,2 mil milhões de euros (valor já avançado pela imprensa) e dispersava o resto do capital em investidores até agosto de 2017. Para isso, o banco de investimento Haitong tinha desenhado uma operação em que era o principal financiador, mas a casa-mãe Haitong Securities, em cima da data limite para a entrega das garantias, retirou-se do processo enquanto financiador.

Isto coincidiu com a saída repentina de José Maria Ricciardi do Haitong Bank, alegadamente em divergência com o ‘chairman’ do banco, o japonês Hiroki Miyazato. As necessidades (de capital) do banco de investimento eram um dos factores de divergência entre o CEO e o ‘chairman’. O banco de investimento português precisava de reforçar o capital para as operações de grande dimensão, e uma delas era precisamente a operação de financiamento do China Minsheng Financial na compra do Novo Banco.
Não foi possível apurar as razões desta retirada repentina do Haitong Bank (ex-BESI), mas poderá estar ligado ao facto de a China estar a viver uma situação de quebra de reservas de moeda estrangeira.

A China é a nova Angola no que toca à saída de divisas. É que as reservas de divisas estrangeiras da China, a maior do mundo, sofreram em novembro a sua maior queda desde janeiro, para 3.050 milhares de milhões de dólares (2.840 milhares de milhões de euros), uma queda de 2,29%, o equivalente a menos 69.000 milhões de dólares face a outubro. Enquanto isso, o yuan continua em mínimos de oito anos e os esforços para apoiar a moeda podem estar por trás desta nova queda das reservas.
A China Minsheng Financial é divisão de investimentos do maior gestora privada de fundos de private equity da China, a China Minsheng Investment Group.

O prazo para os candidatos entregarem as provas de que têm condições financeiras para comprar o Novo Banco ainda está a decorrer, pelo que o China Minsheng ainda não está fora da corrida. Os valores para a venda já estão fechados, pelo que falta apenas a operação de financiamento estar concluída.

No entanto, o Fundo de Resolução ainda está em negociações intensas quer com o fundo de ‘private equity’ Lone Star, quer com a sociedade gestora de fundos de «private equity’ Apollo, que se apresentou a concurso em consórcio com a gestora Centerbrigde. Todos estes fundos são norte-americanos.

Lone Star e Apollo com propostas equitativas
As propostas do Lone Star e da Apollo/Centerbridge estão hoje muito próximas, segundo uma fonte conhecedora do processo.
Mais longe de concretização estão as propostas feitas pelo BCP e pelo BPI.

O prazo oficial para a venda do Novo Banco acaba em Agosto de 2017, mas o Banco de Portugal continua a trabalhar para decidir o futuro da instituição até ao final do ano, ou seja, nas próximas duas semanas.
O fundo Lone Star, por seu lado, terá apresentado uma proposta que inclui algumas nuances, nomeadamente a exigência de uma garantia para os activos, dando em troca uma boa contrapartida ao Estado. Há alguns factores competitivos na proposta do Lone Star, segundo várias fontes.

De acordo com o site “Eco”, a proposta da Lone Star inclui o pagamento de 350 milhões de euros pelo Novo Banco, a pagar ao Fundo de Resolução, e a disponibilidade para realizar o aumento de capital a avaliar em função das necessidades identificadas em acordo com o Banco de Portugal.

O Fundo de Resolução e o Banco de Portugal continuam a fazer todos os esforços para ter um candidato escolhido para comprar o Novo Banco até ao fim do ano.

O processo tem depois de passar pela avaliação do BCE (nomeadamente pelo Mecanismo Único de Supervisão que tem a função de apreciar as notificações de aquisição de participações qualificadas e tomar uma decisão de oposição ou não oposição à aquisição.
O processo deverá voluntariamente passar pelo Governo. que irá dar o seu ‘agreement’.

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