Hardlevel quer fechar este ano com três mil oleões inteligentes em 150 municípios portugueses

A empresa de reciclagem de óleos alimentares pretende exportar o modelo que opera em Portugal para Espanha e França.

A Hardlevel quer fechar o presente ano com três mil oleões inteligentes em 150 municípios portugueses.

“Em três anos, a rede do principal operador nacional responsável pela recolha de óleos alimentares usados para reciclagem (e posterior transformação em combustíveis sustentáveis) foi incrementada entre 200 e 600% em diversas autarquias”, destaca um comunicado da Hardlevel, acrescentando que a empresa “está a internacionalizar o modelo em Espanha e França”.

Salim Karmali, administrador e confundador da Hardlevel – juntamente com o seu irmão Karim Kermali – garante que “estamos numa dinâmica de crescimento e prevemos ter instalados no final de 2022 mais de três Oleões Smart S+ em pelo menos 150 municípios portugueses”.

A Hardlevel – Energias Renováveis afirma-se como o principal operador do mercado de recolha e gestão de óleos alimentares usados (OAU) em Portugal.

De acordo com o referido comunicado, “as boas notícias para o ambiente nacional já haviam marcado 2021, no que à reciclagem de OAU diz respeito”.

“Isto porque o circuito montado pela Hardlevel em todo o território fechou o ano com acréscimos quantitativos e qualitativos na cadeia de transformação destes desperdícios, que, ambientalmente nocivos, mas valorizáveis, estão a ser reciclados em biocombustíveis. Entre eles estão o HVO (do inglês ‘hydrogenated vegetable oil‘, ou seja, óleo vegetal tratado com hidrogénio, uma das gerações mais recentes de ‘biodiesel’) e o SAF (‘sustainable aviation fuel‘, isto é, biocombustível de aviação)”, assinala o mesmo comunicado.

Com sede em Vila Nova de Gaia e centros logísticos e de pré-tratamento noutros pontos do País (e também no estrangeiro), a Hardlevel diz possuir uma capacidade instalada de pré-tratamento de 50 mil toneladas anuais de OAU e 4.500 metros cúbicos de armazenagem instantânea, nos polos operacionais de Avanca e Palmela.

A Hardlevel está atualmente a internacionalizar o modelo de gestão inteligente de óleos alimentares usados em diversas municipalidades de Espanha e França.

“A rede, o único sistema nacional organizado, abrange na atualidade as principais áreas metropolitanas lusas, mais de 100 municípios, tem várias dezenas em contratualização e conta atualmente com mais de 2.500 Oleões Smart S+. No dia-a-dia, o parque de recolha da Hardlevel serve estruturalmente cerca de 3,5 milhões de munícipes. Adicionalmente, através das parcerias estabelecidas com supermercados, hipermercados e retalhistas de combustíveis, onde estão instalados cerca de 200 equipamentos, a rede acaba por servir toda a população nacional”, referem os responsáveis da Hardlevel.

Segundo a administração da Hardelevel, “empresas intermunicipais como a Resialentejo (que agrega os municípios de Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Moura, Ourique e Serpa) e autarquias como Silves, Portalegre, Vila Franca de Xira, Cadaval, Abrantes, Santarém, Rio Maior, Mação, Murça ou Santa Marta de Penaguião são exemplos de municípios que abraçaram o modelo de gestão inteligente de OAU da Hardlevel ainda no fecho de 2021”.

“Entre eles, pontifica igualmente Lisboa, onde foram instalados mais de 200 Oleões Smart S+, que servem diariamente os mais de 500 mil habitantes da capital e os mais de cinco milhões de turistas que a visitam anualmente”, relembra o comunicado em questão, adiantando que “Sardoal, Porto de Mós, Chaves ou Entroncamento, por seu lado, aproveitaram o início de 2022 para integrarem o circuito”, além de haver “mais municípios em vias de os seguirem”.

Os responsáveis da Hardlevel relembram que, em Portugal, as estimativas oficiais apontam para uma quantidade de óleos alimentares usados que varia entre 43 e 65 mil toneladas anuais. “O segmento doméstico será responsável por cerca de 62% dos OAU. E urge um reforço na sensibilização da população, para que se canalize cada vez mais estes resíduos para a cadeia de valor montada no País. Razão pela qual mais e mais municípios se juntam ao complexo da Hardlevel”, salienta o comunicado.

Além de entupirem canalizações, os OAU contaminam os solos e as águas, e, como se não bastasse, uma grande quantidade desemboca nas Estações de Tratamento de Águas Residuais, dificultando e onerando ainda mais o processo de limpeza.

Não obstante, têm existido progressos assinaláveis ao nível da recolha doméstica de OAU. São, aliás, inúmeras as geografias lusas onde a “curva evolutiva das recolhas é manifestamente positiva”, segundo Salim Karmali, não só nos grandes centros urbanos, mas igualmente na envolvência e noutras paragens.

O empresário dá como exemplos os concelhos de Seixal, Lourinhã, Loures, Santo Tirso, Aveiro ou Almada, onde a recolha de OAU na rede Hardlevel cresceu a três dígitos nos últimos três anos, com subidas que oscilaram entre os 200% e os 600%.

“A tendência é generalizadamente crescente. E o progresso faz-se passo a passo, oleão a oleão, concelho a concelho, garrafa a garrafa, a bem do ambiente e de uma mobilidade progressivamente mais descarbonizada”, garante Karim Karmali.

A expansão é, porém, feita a “diferentes velocidades”, explica Salim. As localidades que estão na “carruagem da frente” na reciclagem de óleos alimentares usados estão já a apostar concludentemente nos oleões inteligentes, que permitem dados, ‘reporting’, qualidade na gestão do resíduo e garantia de salubridade na via pública e, ainda, interação e sensibilização do cidadão para a reciclagem dos OAU.

“Ambicionando uma economia descarbonizada, a valorização destes OAU enquanto biocombustível é crucial para alimentar as nossas deslocações quotidianas (através da utilização de ‘biodiesel’ ou HVO), bem como dos voos comerciais (via ‘sustainable aviation fuel’) que realizamos em trabalho ou lazer”, recordam os responsáveis da empresa.

Equipados com dispositivos IoT (Internet of Things), os oleões Smart S+ da Hardlevel “permitem, por um lado, detetar o nível de enchimento em tempo real, prevenindo derrames na via pública, bem como eficiência logística e energética; por outro, através de uma ‘app’, os equipamentos possibilitam rastrear os depósitos de OAU feitos pelos munícipes, facultar digitalmente a sua localização, informar sobre a capacidade disponível em tempo real nos pontos de recolha, contabilizar a deposição de cada pessoa e atribuir pontos (‘greenpoints’), que permitem o acesso a prémios”.

“É também por tudo isto que uma das novas ‘frentes de batalha’ da Hardlevel está concentrada junto dos consumidores domésticos”, assumem os responsáveis da empresa, acrescentando que, “ao mesmo tempo que está a ultimar o lançamento de uma nova geração de oleões inteligentes (a apresentar brevemente), o operador criou, entretanto, facilitadores de descarte de OAU de uso doméstico, para facilitar a tarefa de separação do desperdício logo na fonte”.

“É um produto patenteado, que a Hardlevel baptizou como Mini Olio Collecte®, tendo já iniciado a estratégia de os fazer chegar aos consumidores”, conclui o comunicado em apreço.

A Hardlevel – Energias Renováveis reclama a liderança na Península Ibérica na gestão e pré-tratamento de Óleos Alimentares Usados (OAU), e o facto de ser dos principais ‘players’ europeus do sector.

A empresa foi fundada em 2006, pelos irmãos de ascendência indiana Karim e Salim Karmali, no âmbito de um programa de apoio ao empreendedorismo português.

A Hardlevel gere uma rede global de recolha, pré-tratamento, valorização e gestão de óleos alimentares usados, em Portugal e no estrangeiro, e está apostada em fazer crescer a sua rede em Espanha e na França, com o intento de valorizar os resíduos enquanto matéria-prima para a produção de biocombustíveis avançados.

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