Harold Pinter marca a ‘rentrée’ dos Artistas Unidos

O reencontro com o dramaturgo inglês na peça “Terra de Ninguém” é, acima de tudo, uma viagem pelo universo de um autor cuja linguagem está sempre repleta de sentidos e absurdos, de humor, de crueza e ambivalência.

“Terra de Ninguém”, Artistas Unidos, © Jorge Gonçalves

Em 2005, quando a Academia sueca anunciou que o vencedor do Nobel de literatura era o dramaturgo inglês Harold Pinter, justificou assim a sua escolha: “Pela sua obra descobre-se o precipício que há por detrás do balbuciar quotidiano. Os seus textos entram nos espaços fechados da opressão”. Palavras que assentam como uma luva a “Terra de Ninguém”, peça escrita em 1975 e que, por diversas razões, continua muito atual.

Foi este o texto escolhido pelos Artistas Unidos para a sua rentrée, a 15 de setembro, no Teatro da Politécnica, em Lisboa. Um “velho conhecido” da companhia e um texto que os críticos consideram uma síntese das características revolucionárias do teatro de Pinter. Tudo acontece uma noite, quando um intelectual alcoólico que se passeia pelas ruas se depara com um poeta falhado e o convida para sua casa, onde bebem e se provocam numa espécie de jogos de poder degradantes.

Dois homens jovens e extremamente violentos entram em cena e adicionam agressividade e perigo à situação. Aos poucos, o delírio instala-se e a razão deixa de ali ter lugar. As barreiras entre vida e morte, sonho e realidade desaparecem. Os próprios personagens perdem as suas identidades e tentam, obsessivamente, reconstruí-las.

A tensão obedece a um crescendo, perturba, desassossega. Recordando uma fala de Hirst, o intelectual, “esta noite… meu amigo… encontra-me na última volta de uma corrida… que há muito me esqueci de correr”.

“Terra de Ninguém”, de Harold Pinter, tem encenação de Pedro Carraca e conta no elenco com Américo Silva, João Meireles, António Simão e João Pedro Mamede, e estará em cena de 15 de setembro a 15 de outubro.

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