Hezbollah critica acusações da justiça libanesa sobre explosões em Beirute

Numa altura em que a comunidade internacional apela à coesão política no Líbano, o grupo com ligações ao Irão acusa a justiça libanesa de motivações políticas ao acusar o atual primeiro-ministro no caso das explosões de agosto.

REUTERS/ Issam Abdallah

O grupo libanês Hezbollah criticou as acusações feitas pela Justiça ao primeiro-ministro interino e a três ex-ministros no caso das explosões ocorridas em agosto no porto de Beirute, descrevendo-as como sendo motivadas por razões políticas.

O movimento xiita apoiado pelo Irão pediu ao juiz investigador Fadi Sawwan que reconsiderasse a sua decisão – que coloca o primeiro-ministro Hassan Diab e três ex-ministros no rol de responsáveis, por negligência, pelas explosões.

Críticas semelhantes foram feitas pelo grão-mufti do Líbano, o principal clérigo dos muçulmanos sunitas no país, e pelo primeiro-ministro indigitado, Saad Hariri, que disse que as acusações contra o primeiro-ministro interino Hassan Diab eram uma violação da Constituição.

Os quatro iniciados devem ser interrogados como réus na próxima semana. Diab, apoiado pelo Hezbollah e seus aliados políticos, renunciou ao cargo após as explosões de 4 de agosto e permanece apenas como interino, já que as autoridades libanesas não chegaram a um acordo sobre um novo gabinete.

A decisão de quinta-feira de acusar altos responsáveis é inédita. Segundo a Constituição do Líbano, um conselho especial formado por juízes e políticos deve ser formado para a eventual necessidade de julgar ministros e presidentes por crimes de alta traição, abandono de deveres e violação da Constituição.

Sawwan deu antecipadamente a conhecer ao parlamento o teor das investigações, com os parlamentares a responderam que o material que receberam não apontava para qualquer irregularidade profissional.

A Ordem dos Advogados, presente na investigação, disse que a resposta do parlamento não impede Sawwan de exercer o seu direito de acusar funcionários do governo. A explosão não é vista como um crime político; se o fosse, exigiria a intervenção papel do parlamento.

Os três ex-ministros acusados ​​juntamente com Diab são aliados do Hezbollah, segundo os jornais locais: o ex-ministro das Finanças Ali Hassan Khalil, e Ghazi Zeiter e Youssef Fenianos, ambos ex-ministros de Obras Públicas.

Uma declaração do gabinete de Diab acusou Sawwan de violar a Constituição e de tentativa de burlar o parlamento. Embora opositor político, Hariri visitou Diab nesta sexta-feira, num gesto de solidariedade.

Os observadores entendem que todas estas reações são não só uma forma de tentativa de ingerência em matéria da responsabilidade da Justiça, mas também uma evidência de que a casta libanesa que tem ocupados os mais altos cargos do país se defende mutuamente, mesmo quando em causa estão adversários políticos.

A reação dos países envolvidos com o Líbano – nomeadamente a França e os Estados Unidos (que lideram negociações entre libaneses e israelitas a propósito das fronteiras marítimas entre ambos) – ainda não são conhecidas.

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