Hidrogénio é aposta para a alteração do mix energético

O verdadeiro ‘stress energético’ em que a Europa está submergida obriga a decisões rápidas, que têm nas renováveis a opção mais aceitável. Mas todas as opções devem estar em aberto – a nuclear inclusivé.

A alteração do mix energético português – que tem uma assinalável componente de energias renováveis – deve insistir no aumento da presença de energia oriunda de fontes fotovoltaicas e eólicas, mas necessita também de insistir na substituição do gás natural. Nesse quadro, o hidrogénio afigura-se como uma aposta segura.

Esta é uma das conclusões – não necessariamente unânimes – de mais um debate do ciclo Projetor 2030, uma iniciativa promovida pela Associação Comercial do Porto (ACP) para debater a execução do próximo quadro comunitário de apoio e de que o Jornal Económico é media partner.

Como referia a investigadora Teresa Ponce de Leão, qualquer que seja a opção, ela deve ser suportada por uma aproximação aos dados científicos. De outra forma, pode haver um distanciamento entre teoria e prática que acabará por tornar qualquer opção deficiente. Para que isso não suceda, disse, é também necessário que todo e qualquer projeto na área da energia seja minuciosamente monitorizado, sob pena de, com ele, nada se aprender.

A questão – falhar não deve fazer parte da equação – é particularmente importante numa altura em que fatores exógenos à própria equação alteraram a substância do problema: a inflação, a guerra e também o facto de, no pós-Covid, tudo ter voltado ao mesmo. Ou seja, mal o confinamento foi encaminhado para a memória, a produção mundial voltou ao seu velho sistema de predação dos recursos que, sabe-se, são necessariamente finitos.

Para o investigador e docente da Universidade de Trás-os-Montes Aureliano Malheiro, a população tem de ter em conta que “as alterações climáticas vão mudar a agricultura na Europa” – fator que está já há muito nos radares dos estudiosos. Mas também das espécies, nomeadamente das vegetais: “o impacto das alterações climáticas nos vegetais é devastador, e eles defendem-se alterando o seu ciclo de desenvolvimento”.

Portugal, disse, está especialmente exposto, dado que a monitorização disponível indica que o território peninsular está numa região onde a conjugação do aumento das temperaturas com a diminuição da precipitação contribuirão com facilidade para a tempestade perfeita. E se nada for feito, explicou, ou mesmo se pouca coisa for feita, “o pior dos cenários é o que tem mais probabilidade de acontecer”: um aumento da temperatura média das regiões mais afetadas que pode chegar com alguma facilidade aos cinco graus centígrados.

Para Joaquim Sá, responsável da Dourogás – empresa de distribuição de gás que responde pela gestão de 800 km de rede para 34 municípios do nordeste do país –, a chave está precisamente na alteração do mix energético, através da substituição do gás natural. Biogás, hidrogénio, ou outro. A gestão de resíduos, por exemplo, pode resultar na produção de gás à base de metano que pode ser injetado no sistema.

Para o responsável da empresa, há outra alteração que importa fazer: colocar quem sabe a falar sobre o assunto. E deu um exemplo: a mistura de diferentes tipos de gás obedece a regras químicas que os técnicos conhecem – e nada disso implica qualquer substituição da rede de transporte existente.

Joaquim Sá disse ainda que – principalmente no quadro de ‘stress energético’ que neste momento vivem quase todos os países do globo e seguramente todos os países da Europa – não faz sentido deixar de lado qualquer opção energética. Mesmo a nuclear – que, como disse, Teresa Ponce de Leão, já não comporta os riscos que eram conhecidos até há alguns anos.

De qualquer modo, o problema é de tal premência, que o debate não pode demorar – como costuma acontecer em Portugal – até á eternidade.

O ciclo da ACP concluir-se-á com o próximo debate, a 13 de dezembro, subordinado ao tema: “Que valor para a criatividade e património?”, para o qual estão confirmados Laura Castro (DRC Norte), Carlos Martins (Opium), Paulo Brandão (Theatro Circo) como oradores e Rosário Gambôa enquanto moderadora.

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