Hospitais estão a dever mais de 67 mil dias de folga a enfermeiros

Os hospitais estão a dever aos enfermeiros mais de 539 mil horas extraordinárias, situação que se tem agravado com a não contratação de profissionais em número suficiente.

Num estudo feito pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) em 27 instituições, concluiu o SEP que os hospitais estão a dever aos enfermeiros mais de 539 mil horas extraordinárias, correspondente a mais de 67 mil dias de folgas (tendo em conta turnos diários de oito horas), informa hoje o DN.

Esta situação tem-se agravado com a não contratação de profissionais em número suficiente, aponta o SEP, embora o Ministério da Saúde afirme que tem procurado minimizar a carência “autorizando a generalidade dos pedidos de contratação”. Já o presidente da Associação dos Administradores Hospitalares (APAH) disse, ao DN, que com as limitações financeiras as contratações poderão demorar mais que o desejável.

Guadalupe Simões, do SEP, afirmou ao DN que “esta é uma situação que se tem agravado por causa da não admissão de enfermeiros em número suficiente, mas também por outros fatores. Quando se passou para as 40 horas semanais, muitas enfermeiras pediram flexibilidade de horário para acompanhamento de filhos menores, o que levou à diminuição de enfermeiros para fazer as tardes e noites. Como não há admissão suficiente, houve uma redução das folgas destes colegas”.

Guadalupe Simões referiu também a subida da taxa de absentismo entre 2013 e 2014 de 9% para 11%. “Mensalmente estão a faltar nos hospitais 3854 enfermeiros para colmatar as 539 mil horas feitas a mais”. Segundo o sindicato, o total de horas em dívida corresponde a mais de 5 milhões de euros.

O DN refere que, de acordo com o Inventário de Pessoal do Setor da Saúde, em 2014, existiam 39691 enfermeiros no SNS. Destes, 32 700 nos hospitais e Unidades Locais de Saúde (estas juntam hospitais e centros de saúde. Uma parte dos enfermeiros trabalha nos cuidados de saúde primários, dados não desagregáveis). O que significa em média duas folgas em dívida por enfermeiro a trabalhar nos hospitais.

A bastonária dos enfermeiros afirmou ao DN que as horas em dívida “resultam da falta de enfermeiros”. “Há hospitais a colocar nas escalas programadas horas extra. Os enfermeiros podem e devem recusar-se a fazer essas horas a mais. Os enfermeiros estão a trabalhar em stress elevado e exaustão, o que faz aumentar o risco de erro”, aponta Ana Rita Cavaco, acrescentando que “todas as semanas o ministério recebe ofícios da Ordem a relatar situações de horas em dívida”. A Ordem pediu ao ministério e a todos os partidos a contratação de 3 mil enfermeiros por ano.

Alexandre Lourenço, presidente da APAH, citado pelo DN, diz que “não é desejável ter profissionais a executar um número de horas muito superior ao normal. Estamos a sobrecarregar recursos de forma desnecessária, o que leva à desmotivação, burnout e emigração. Este número [de horas em dívida] só pode ser resolvido com mais contratações. Apesar da sensibilidade do ministério para a questão, com as limitações financeiras, as contratações levarão mais tempo que o desejável”, diz, salientando que o aumento de profissionais é fundamental para o combate às infeções hospitalares e para apostar em novos modelos de seguimento de doentes crónicos que levam à redução de internamentos.

A Administração Central do Sistema de Saúde refere ao DN que o “Ministério tem procurado minimizar a carência deste grupo de pessoal, autorizando a generalidade dos pedidos de contratação que lhe são apresentados pelos serviços e estabelecimentos de saúde do SNS.” E dão como exemplo a evolução de enfermeiros com contrato de trabalho ativo entre junho, quando entraram em vigor as 35 horas semanais para contratos em função pública e novembro: passou de 39 217 profissionais para 40 060.

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