Democratas dizem que ‘impeachment’ de Trump serve para garantir que “nenhum futuro presidente” volte a apelar à violência

Recorrendo a relatos policiais, de funcionários do Capitólio e a notícias de imprensa estrangeira, os democratas alegaam que Donald Trump foi o responsável pela invasão do Capitólio, tendo provocado danos políticos e sociais de longo prazo.

Gerald Herbert/AP Photo

Os congressista do Partido Democrata finalizaram na quinta-feira os argumentos contra Donald Trump, a propósito do processo de ‘impeachment’ (destituição) que está a decorrer no Senado norte-americano. Os democratas alertaram que o ex-presidente dos EUA pode voltar a instigar protestos idênticos aos que culminaram na invasão do Capitólio, a 6 de janeiro, se não for condenado.

Recorrendo a relatos policiais, de funcionários do Capitólio e a notícias de imprensa estrangeira, os democratas alegaram que Donald Trump foi o responsável pela invasão do Capitólio, tendo provocado danos políticos e sociais de longo prazo.

Citado pela BBC, o congressista Ted Lieu, um dos promotores do ‘impeachment’, defendeu o impeachment a Trump, apesar de já não ser presidente dos EUA, uma vez que a atitude do antigo presidente “é sobre o futuro”. Acresce que o democrata considerou que Trump não revelou qualquer “remorso” pelo que aconteceu.

Para Lieu, avançar com a destituição e condenação de Trump significa “garantir que nenhum outro futuro presidente faça exatamente o mesmo” que o 45.º presidente dos EUA.

Outro promotor da destituição de Trump, o congressista Joe Neguse, argumentou que o antigo chefe de Estado “não era apenas uma pessoa” que fez um discurso polémico. Trump era um presidente de um país que se dirigia aos seus apoiantes, que estavam “prontos para a violência [e] ele acendeu um fósforo”.

A defesa do ex-presidente deverá apresentar os argumentos de defesa esta sexta-feira. Os advogados de Trump já argumentaram que o antigo presidente norte-americano estava a exercer o seu direito à liberdade de expressão ao declarar que os resultados da eleição presidencial de novembro foram defraudados.

A invasão ao Capitólio revelou-se violenta e culminou na morte de cinco pessoas. O protesto seguido de uma invasão às instalações do congresso norte-americano foi uma tentativa dos apoiantes de Trump impedirem que a vitória eleitoral de Joe Biden fosse certificada e, assim, oficializada pelo congresso.

A Câmara dos Representantes, cuja maioria dos congressistas é do Partido Democrata, acusou em janeiro Donald Trump de incitar a invasão do Capitólio no dia 6 de janeiro. Os congressistas estão estão, agora, na fase de apresentar argumentos aos senadores.

O Senado norte-americano tinha aprovado no dia 9 de fevereiro, com os votos dos senadores democratas e de alguns republicanos, a continuação do processo judicial de destituição do ex-presidente Donald Trump. Com 56 votos a favor e 44 votos contra, a câmara alta do Congresso confirmou assim que o processo contra o ex-presidente se enquadra na sua jurisdição.

Para Donald Trump ser condenado é necessária uma maioria de dois terços no Senado. Os democratas têm metade dos 100 lugares no Senado e contaram com o apoio de alguns republicanos na altura de votar o arranque do processo de impeachment. Mas a maioria dos senadores republicanos continua fiel a a Donald Trump.

Se Trump for condenado, o Senado poderá votar para impedi-lo de exercer um cargo público nos EUA, novamente.

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