“Impede-se ida aos cemitérios mas autoriza-se a F1. Ninguém percebe”, critica bastonário da Ordem dos Médicos

O bastonário defendeu que o Grande Prémio de Fórmula 1, que decorreu no fim de semana passado em Portimão, “devia ter sido fiscalizado de uma forma completamente diferente”.

Cristina Bernardo

O bastonário da Ordem dos Médicos defendeu hoje que não pode haver “dois pesos e duas medidas” na prevenção dos contágios pelo novo coronavírus, criticando a proibição das idas aos cemitérios no fim de semana de Finados.

“Ninguém percebe que as pessoas não possam ir aos cemitérios ver os seus entes queridos de máscara, com algumas cautelas e que possa existir um evento de fórmula 1, importantíssimo para o país, o evento desportivo mais visto a nível mundial, e que nós tenhamos lá tantas pessoas, 27 mil e tal pessoas mais 10 ou 12 mil da organização”, afirmou Miguel Guimarães num debate organizado em Lisboa pelo International Club de Portugal.

O bastonário defendeu que o Grande Prémio de Fórmula 1, que decorreu no fim de semana passado em Portimão, “devia ter sido fiscalizado de uma forma completamente diferente”.

“Se a Direção Geral da Saúde definiu que ia haver espetadores, tinha que ter arranjado uma forma de aquilo ser fiscalizado, não pela organização, que é evidente que não ia ter capacidade de o fazer, mas ser o próprio Estado a garantir que as pessoas estavam separadas”, defendeu.

Miguel Guimarães referiu que “a imagem das pessoas em cima umas das outras e sem máscara passou em todo o mundo, o que é mau para Portugal”.

Considerou que a proibição de idas aos cemitérios “na prática, acabou por ser um erro”.

“Qual é o problema de ir à campa, sozinho, com um filho, marido, o que for, visitar um ente querido, por lá umas flores, de máscara, e vir embora?”, questionou.

“As regras têm que ser definidas. O discurso de coerência é muito importante, caso contrário, os portugueses não acreditam e revoltam-se”, salientou.

Miguel Guimarães afirmou que não é na ida aos cemitérios que reside o risco de ser contagiado mas “nas circunstâncias de as famílias se encontrarem, irem jantar ou almoçar fora ou em casa uns dos outros”, que é quando as pessoas estão “mais desprotegidas”.

Outras situações em que o risco é maior são “festas, casamentos e batizados, reuniões de amigos ou nos bares onde as pessoas se encontram e nos restaurantes, que começaram por ter todos os cuidados, mas onde isso já não acontece”.

“É fundamental que a Direção Geral da Saúde esteja atenta e imponha algumas medidas durante algum período. Um confinamento global não faz sentido, era destruir a economia. É preciso identificar os sítios e as atitudes pelas quais o vírus se propaga mais”, indicou.

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