“Importa intensificar sectores com vantagens competitivas”

Em termos geográficos, o foco das exportações portuguesas mantem-se fixado na Europa, nos Estados Unidos, nos países da CPLP e em outros mercados com os quais a União Europeia assinou Acordos de Comércio Livre.

Com as exportações a darem um sinal de vitalidade da economia, o objetivo de alcançar os 50% do PIB com as vendas ao exterior mantem-se. Mesmo que 2023 ainda seja um cenário que envolve alguma incerteza.

Até que ponto condições do contexto alteraram o processo de internacionalização?
Há sempre novos desafios que se nos colocam no contexto internacional. A pandemia reforçou a aposta que já tínhamos iniciado no apoio que a AICEP dá à capacitação das empresas para a utilização do e-commerce, para o fomento da sua digitalização, e para a diversificação da sua atuação nos Mercados Externos. Neste momento, como se imagina, temos de enfrentar os efeitos trazidos pela guerra na Ucrânia e pela inflação. Nessa medida, é importante que se aposte nas empresas e nos projetos que se enquadram nas áreas estratégicas para o desenvolvimento da economia portuguesa que sejam diferenciadores no quadro internacional global, nomeadamente na transição digital, na transição energética, na economia verde, na economia azul e na promoção da economia circular. Importa a Portugal intensificar os esforços nos sectores em que o nosso país pode apresentar vantagens competitivas, desde logo no atual contexto de crise energética na Europa que decorre do conflito em território ucraniano.

Neste quadro, que balanço faz da internacionalização das empresas ao longo de 2022?
Os dados que temos dizem-nos que as empresas exportadoras são mais resilientes e tudo indica que iremos bater um novo recorde de exportações este ano, portanto o balanço ao longo de 2022 é bastante positivo. Podemos afirmar que as empresas portuguesas que se internacionalizam ganham escala. Empresas mais internacionalizadas, que exportam mais, beneficiam da experiência de um mercado global e potenciam as suas rendibilidades, além de mitigarem riscos através da diversificação. Por isso, diria que quanto mais exportarem, em especial para diferentes mercados, mais preparadas as empresas estarão para enfrentar os desafios que já estamos todos a sentir. Neste sentido, acredito que Portugal deve continuar a apostar numa maior diversificação dos seus parceiros comerciais, algo que tem vindo a ser feito nos anos mais recentes e também em 2022. Estamos por isso apostados em apoiar as empresas neste esforço, quer através do acompanhamento próximo da AICEP, nomeadamente através de ações de capacitação, quer através de incentivos específicos para cumprir esse objetivo.

Como comenta os valores indicativos da AICEP, segundo os quais as empresas portuguesas atingirão exportações de 100 mil milhões no final do ano?
São dados muito positivos que revelam bem a resiliência das empresas portuguesas e o trabalho de capacitação e apoio que tem vindo a ser desenvolvido pela AICEP. Os dados mais recentes do comércio internacional de bens e serviços mostram que, em valores acumulados, de janeiro a setembro de 2022, as exportações de bens e serviços ascenderam a 90 mil milhões de euros, contra cerca de 64 mil milhões de euros no período homólogo de 2021. Neste período, Espanha foi o principal destino das nossas exportações, seguindo-se França e Alemanha. O Reino Unido foi o principal país cliente extracomunitários e o quarto em termos globais, seguindo-se os EUA . Queremos que as exportações portuguesas passem a barreira dos 50% do PIB no final da legislatura e estamos confiantes de que vamos ser bem-sucedidos.

Há um impacto virtuoso do PRR na internacionalização?
Como disse o primeiro-ministro, a nossa responsabilidade é utilizarmos cada cêntimo do PRR com toda a transparência, toda a responsabilidade e com a máxima eficiência para que cada cêntimo aplicado se transforme naquilo que são os objetivos fixados – vencer a exclusão, combater a pobreza e promover a coesão social. O PRR tem como objetivo fundamental apoiar a dupla transição energética e digital. Neste ponto gostaria de destacar os 23 milhões de euros disponíveis na medida “Internacionalização via e-commerce”, que irá apoiar a internacionalização das empresas portuguesas através do comércio eletrónico e cujas verbas e sua atribuição serão geridas pela AICEP. Esta é uma medida muito importante que visa dinamizar as exportações online, com o objetivo último de contribuir para aumentar as exportações portuguesas.

Que dados recolheu a rede externa do MNE e da AICEP ao nível dos principais mercados internacionais escolhidos para a internacionalização?
Os mercados alvo da internacionalização portuguesa em termos geográficos e sectoriais estão sempre a ser reavaliados com o objetivo de focar a aplicação dos recursos em sectores e mercados estratégicos para a economia nacional. Perante a informação que vamos continuamente obtendo junto da rede externa do MNE e da AICEP damos particular atenção às empresas nos sectores estratégicos, focando em mercados principais para a economia portuguesa: Europa, EUA, CPLP e outros mercados com os quais a UE assinou Acordos de Comércio Livre. Paralelamente, procuramos consolidar a matriz de mercados e sectores alvo da internacionalização portuguesa, alinhados com as políticas sectoriais definidas nas áreas da Economia e do Mar, Agricultura e Ambiente, sem esquecer as já referidas novas plataformas de internacionalização como o E-Commerce.

Como será o ano de 2023 na frente da internacionalização? A secretaria de Estado antecipa dificuldades?
De que âmbito?
O ano de 2023 avizinha-se de grandes desafios, desde logo tendo em conta o cenário de guerra com o qual nos continuamos a confrontar. Ainda assim, como já referi, acredito que as empresas exportadoras são resilientes, considerando novos mercados e sectores diferenciadores, para responder aos desafios que antecipamos para o próximo ano.

O que precisam as empresas portuguesas para responderem aos desafios de 2023?
Como disse anteriormente, a economia portuguesa mostrou uma grande resiliência face ao impacto da pandemia de Covid-19, já recuperou para os níveis de 2019. Os sectores de exportação de bens e serviços foram particularmente importantes nesse processo e importa reforçar a presença das empresas portuguesas no estrangeiro. Para tanto estamos a trabalhar de forma integrada com as confederações, associações e empresas, olhando para todo o percurso da internacionalização, incluindo a formação profissional das pessoas, a formação sobre mercados, o apoio aos processos de adaptação das novas realidades internacionais e, também, através de instrumentos de financiamento.

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