Independentistas catalães consultam militantes sobre continuidade no governo regional

Os dois partidos independentistas no governo regional, Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e JxCat, assumiram publicamente na semana passada a rutura, por discordarem no caminho para a independência, cinco anos depois do referendo de 1 de outubro de 2017, considerado ilegal por Madrid, e da tentativa de autodeterminação.

Juan Medina/Reuters

Um dos partidos na coligação de governo na região espanhola da Catalunha, o independentista Juntos pela Catalunha (JxCat), faz hoje e na sexta-feira uma consulta aos militantes para decidir se continua no executivo.

Os dois partidos independentistas no governo regional, Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e JxCat, assumiram publicamente na semana passada a rutura, por discordarem no caminho para a independência, cinco anos depois do referendo de 1 de outubro de 2017, considerado ilegal por Madrid, e da tentativa de autodeterminação.

ERC e JxCat são dois partidos independentistas, mas a Esquerda Republicana da Catalunha é mais moderada e defende que o caminho para a independência deve ser o do diálogo com o Governo central de Espanha (atualmente liderado pelo socialista Pedro Sánchez), com quem deve ser negociada a realização de um novo referendo.

Na semana passada, durante um debate parlamentar, as desavenças entre os dois partidos chegaram ao ponto de o líder parlamentar do Juntos pela Catalunha, Albert Batet, desafiar o presidente do Governo Regional, Pere Aragonès, da ERC, a submeter-se a uma moção de confiança na assembleia regional, para comprovar se ainda tem apoio da maioria dos deputados, depois de “não haver avanços no programa independentista”.

Aragonès classificou o desafio como uma “deslealdade” e invocou “perda de confiança” no “número dois” do governo regional, que demitiu, pedindo ao JxCat para nomear um substituto.

O JxCat, após uma reunião de dez horas na quinta-feira passada, 29 de setembro, decidiu questionar os militantes sobre a continuidade do partido no governo catalão, com uma consulta hoje e na sexta-feira.

Os militantes vão responder, com “sim” ou não”, à pergunta: “Quer que o Junts [Juntos] continue a fazer parte do Governo da Generalitat da Catalunha?”

A ERC já rejeitou “rotundamente” eleições antecipadas no caso de o JxCat abandonar o governo regional.

Quem ganhou as eleições catalãs de 2021 foi o Partido Socialista, mas sem maioria absoluta, pelo que uma aliança entre ERC e JxCat acabou por formar o atual governo de independentistas.

O líder dos socialistas catalães, Salvador Ila, em declarações a jornalistas em Barcelona na quinta-feira passada, não quis pronunciar-se sobre se será preciso haver eleições no caso de o JxCat deixar o governo regional por considerar que é necessário, primeiro, “ouvir” Aragonès.

“Não é um momento de aventuras” e se a ERC “quer governar em minoria” sem ter ganhado as eleições, terá de “explicar como quer fazê-lo e com quem”, disse Illa.

O atual governo regional tomou posse em maio de 2021.

O Governo central espanhol, atualmente liderado pelo socialista Pedro Sánchez, tem o apoio, no Congresso dos Deputados (o parlamento nacional), da Esquerda Republicana da Catalunha, e aprovou, em junho de 2021, indultos para nove líderes independentistas catalães que estavam a cumprir penas de prisão por causa da declaração unilateral de independência e a realização do referendo de 2017.

Poucos dias depois dos indultos, o Governo espanhol e o executivo regional catalão anunciaram o reatamento do diálogo “sobre o conflito político entre os dois governos”, nas palavras de Aragonès.

Nesta mesa de diálogo só se senta, do lado catalão, a ERC, que decidiu que o JxCat só teria um lugar se nomeasse um membro do governo regional, algo que o partido recusou.

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