Indústria da pesca do Reino Unido indignada com acordo do Governo com a União Europeia

O ministro de Estado britânico, Michael Gove referiu que o acordo entre o Reino Unido e a UE foi o “melhor acordo possível” para a indústria da pesca como um todo e que um “grande pacote de financiamento” seria anunciado para o setor num “futuro muito próximo”. 

Reuters

A indústria da pesca no Reino Unido deverá enfrentar dificuldades imediatas e danos duradouros de acordo com o previsto no novo acordo da União Europeia (UE), reclamam líderes do setor citados pelo “The Guardian” esta segunda-feira.

O ministro de Estado britânico, Michael Gove referiu que o acordo entre o Reino Unido e a UE foi o “melhor acordo possível” para a indústria da pesca como um todo e que um “grande pacote de financiamento” seria anunciado para o setor num “futuro muito próximo”.

Por sua vez, a Federação Nacional de Organizações de Pescadores frisou que, por enquanto, a participação do Reino Unido em algumas unidades populacionais só aumentou ligeiramente, de 10% a 20% no Mar Celta, por exemplo, enquanto o peixe escamudo do Mar do Norte (coley) subiu de 23% para 26%.

“Existiram algumas mudanças marginais nas quotas, mas estamos amarrados a um acordo que dá acesso à frota da UE às nossas águas até ao limite de seis milhas. Achamos que um limite exclusivo de 12 milhas era uma linha vermelha absoluta para o Reino Unido. Isso não funcionou”, explicou o presidente da Federação Nacional de Organizações de Pescadores, Barrie Deas.

Andrew Locker, diretor da empresa familiar Lockers Trawlers, que opera dois barcos de pesca em Peterhead, em Aberdeenshire, garantiu ao “The Guardian” que 2021 será um desafio para muitos que trabalham no Mar do Norte devido ao sistema de troca de quotas. “Não sei como vamos passar por 2021”, assegurou Andrew Locker. “Costumávamos trocar quotas que não queríamos com quotas que os franceses ou alemães não queriam e isso permitiu-nos montar um plano anual de pesca”, realçou.

Quem acompanha a onda de críticas é Elspeth Macdonald, chefe-executiva da Federação Escocesa de Pescadores, sublinhando que o acordo final não foi aquele que estava prometido. “Os princípios que o Governo disse que iria apoiar – controlo sobre o acesso, quotas com base na vinculação zonal, negociações anuais – não parecem ter sido centrais para o acordo. Depois de todas as promessas feitas à indústria, isto é extremamente dececionante”.

 

 

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