INE: Défice até Setembro foi de 2,5%

Estes dados superam as estimativas da UTAO, que numa nota de análise enviada aos deputados, tinha calculado o défice do terceiro trimestre nos 2,8% do PIB.

O défice orçamental em contas nacionais, a óptica que conta para Bruxelas, ficou em 2,5% do PIB nos primeiros nove meses de 2016, avançou o INE nesta sexta-feira, dia 23 de Dezembro.

Isto porque no terceiro trimestre de 2016 ficou em 1,7% do PIB, revelou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

“Tomando como referência valores trimestrais e não o ano acabado no trimestre, o saldo das Administrações Públicas situou-se em cerca de -812,9 milhões de euros no 3º trimestre de
2016, correspondente a -1,7% do PIB (-1,1% em igual período do ano anterior)”, refere o documento INE intitulado “Capacidade de financiamento da economia aumentou para 0,9% do PIB”.

“Para o conjunto dos três primeiros trimestres de 2016, o saldo global das Administrações Públicas fixou-se em -3 405,6 milhões de euros, representando -2,5% do PIB (-3,4% do PIB em igual período do ano passado)”, refere INE.

“Esta melhoria do saldo foi determinada por um aumento da receita total (0,8%) e uma diminuição da despesa (-1,1%). Do lado da receita, destacam-se os aumentos da receita com impostos sobre a produção e importação (5,6%) e as contribuições sociais (3,6%).
Do lado da despesa, salienta-se o decréscimo da despesa de capital (-32,7%), que representou 1,7% do PIB (2,7% do PIB no mesmo período do ano anterior), verificando-se uma diminuição de 28,4% no investimento.”

A necessidade de financiamento das Administrações Públicas (AP) aumentou 0,1 p.p., passando de 3,5% do PIB no ano acabado no 2º trimestre de 2016 para 3,6%. Este aumento resultou do efeito conjugado da redução de 0,1% da receita e do aumento de 0,3% da despesa, avançou ainda o INE.

O défice até Setembro fica abaixo da estimativa da UTAO,  Unidade Técnica de Apoio Orçamental, que funciona no Parlamento, que no início do mês previu um défice de 2,8%.

Hoje à tarde serão divulgados os dados da execução orçamental entre janeiro e novembro de 2016, pela Direção-geral do Orçamento (DGO).

Esta semana o primeiro-ministro disse que o défice orçamental “ficará mesmo abaixo dos 2,5% que tinha sido fixado pela Comissão Europeia”, disse o líder socialista acrescentando que nesta altura é já possível assegurar que este objectivo será alcançado “com conforto”.

Capacidade de financiamento da economia

Segundo o INE a capacidade de financiamento da economia situou-se em 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano até ao 3º trimestre de 2016, mais 0,1 pontos percentuais (p.p.) que a observada no trimestre anterior.

A poupança bruta diminuiu 1,2%, verificando-se um crescimento da despesa de consumo final da economia (0,7%) superior ao aumento do Rendimento Disponível Bruto (RDB) da nação (0,4%). Portanto a despesa aumentou mais do que o rendimento disponível.

O Rendimento Nacional Bruto (RNB) aumentou menos que o PIB (0,5% e 0,7% no 3º trimestre de 2016, respetivamente), refletindo o agravamento do saldo dos rendimentos de propriedade com o exterior.

A taxa de poupança das Famílias fixou-se em 4,0%, mais 0,1 p.p. que no trimestre anterior, refletindo um crescimento ligeiramente mais elevado do rendimento disponível comparativamente com o da despesa de consumo final (0,8% e 0,7%, respetivamente).

A capacidade de financiamento das famílias passou de 0,6% para 0,8% do PIB no 3º trimestre de 2016, enquanto os saldos das sociedades não financeiras e das sociedades financeiras (empresas e bancos) estabilizaram em 0,4% e em 3,3% do PIB, respetivamente.

 

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