Infarmed confirma procura “acima do normal” por medicamentos com iodeto de potássio, mas que não foi “relevante” (com áudio)

“Recordamos que os medicamentos autorizados e comercializados em Portugal contendo iodeto de potássio se destinam à correção de deficiências nutritivas e à prevenção de defeitos do tubo neural e de distúrbios neurológicos do feto durante a gravidez”, escreve o Infarmed numa nota enviada ao Jornal Económico.

A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) confirmou esta quarta-feira, 30 de março, informações avançadas pela DECO, de que a procura por medicamentos com iodeto de potássio aumentou devido aos conflitos no leste europeu. No entanto, o Infarmed esclarece que a procura não se traduziu num aumento nas vendas destes tipos de medicamentos, reforçando que só podem ser dispensados mediante prescrição médica.

“Recordamos que os medicamentos autorizados e comercializados em Portugal contendo iodeto de potássio se destinam à correção de deficiências nutritivas e à prevenção de defeitos do tubo neural e de distúrbios neurológicos do feto durante a gravidez. Estes medicamentos apenas podem ser dispensados mediante prescrição médica”, escreve o Infarmed numa nota enviada ao Jornal Económico.

A guerra na Ucrânia trouxe de volta os receios de um potencial desastre nuclear. A Rússia é o país com mais ogivas do mundo e o presidente do país, Vladimir Putin, apressou-se a recordar ao ocidente que estaria pronto para as utilizar, ainda que os analistas do conflito considerem altamente improvável, mas não impossível. A isto acrescenta-se o facto da Ucrânia ter quatro centrais em funcionamento, com um total de 15 reatores.

O Infarmed sublinha que “o medicamento Iodeto de Potássio G. L. Pharma 65 mg, com indicação de utilização após acidentes nucleares com libertação de isótopos de iodo radioativo não tem qualquer efeito profilático e apenas é utilizável em determinadas circunstâncias, tendo em conta o tipo de radioisótopos, bem como a distância < a xxx km da localização da origem da radiação”.

O referido medicamento não se encontra comercializado em Portugal, mas será disponibilizado, se necessário, pelas Autoridades de Saúde, garante o Infarmed.

A associação deixa ainda um alerta: “A toma de medicamentos à base de Iodeto de Potássio apenas deverá ocorrer quando prescrito pelo médico, porquanto a sua utilização noutras circunstâncias é desnecessária e pode desencadear desequilíbrios funcionais graves no organismo”.

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