Inflação 2022: o que é e quais as suas consequências?

A inflação 2022 está a preocupar famílias e empresas. Saiba o que significa este conceito e o que está por trás desta subida de preços.

É oficial: a inflação 2022 em Portugal está em máximos históricos. E não vai ficar por aqui. As previsões fazem antever uma subida que pode ultrapassar os 6% ainda este ano, devido à pandemia e à guerra na Ucrânia. Um cenário que leva muitos a perguntar: o que é exatamente a inflação? Quais são as consequências desta escalada de preços? E o que justifica esta subida? Descubra, neste artigo do ComparaJá.pt, tudo sobre este conceito, como o afeta a si e como se proteger.

O que é a inflação?

Os preços dos bens e serviços estão em permanente atualização. É normal, numa economia de mercado, em que a procura e oferta estão em constante diálogo. Um dia, uma dúzia de ovos custa “x” e no dia a seguir esse preço já é diferente.

O mesmo acontece com os combustíveis, automóveis, artigos de tecnologia, empréstimos e muitos outros bens essenciais. Isto por si, não significa que exista inflação nem é motivo de preocupação.

No entanto, se o preço de muitos bens ou serviços aumentar ao longo de um período longo, como um ano, diz-se que a economia está inflacionada. É o que está a acontecer neste momento com a inflação 2022. Numa situação como esta, o valor do dinheiro desce, ou seja, com um euro compra-se menos do que anteriormente, e o poder de compra dos consumidores diminui.

Em Portugal e no resto da zona Euro, a inflação está em máximos históricos. Em março, o nosso país registou uma inflação de 5,3%, o valor mais elevado desde 1994. A nível europeu a inflação é a mais alta de sempre, cerca de 7,5%. Estes números estão a preocupar consumidores e empresas, e já estão a ter impacto no dia-a-dia de milhares de portugueses.

Como é calculada a inflação 2022?

Para compreender o significado da inflação, é importante saber como é calculada. Todos os meses, os observadores do Eurostat recolhem os preços de aproximadamente 700 bens e serviços em Portugal. Este levantamento inclui artigos do dia a dia, como produtos alimentares, bens duradouros como computadores pessoais e máquinas de lavar roupa, e serviços, como cabeleireiros, seguros e renda de casa.

Para cada produto, são analisados vários preços em diferentes estabelecimentos comerciais e regiões. Por exemplo, os preços dos livros têm em conta os diversos géneros de livros (ficção, não ficção, referência, etc.) vendidos em livrarias, supermercados e através da Internet.

Depois, é calculado o preço médio de todos estes produtos (o chamado “cabaz” médio) de acordo com o seu peso no orçamento familiar. Os preços dos produtos em que se gasta mais, tais como a eletricidade, têm mais peso (isto é, uma ponderação maior) do que os dos produtos em que se gasta menos, por exemplo, açúcar ou selos de correio.

Por fim, é determinada a variação dos preços face ao mesmo período do ano anterior, o período homólogo. Por exemplo, os preços de março de 2022 são comparados com os de março de 2021, a partir da qual se obtém uma percentagem. Se a percentagem for positiva, ocorreu um aumento de preços, ou inflação. Se for negativa, estamos perante uma descida de preços, ou deflação.

Na zona euro, esta comparação toma o nome de “Índice Harmonizado de Preços no Consumidor”, muitas vezes simplesmente designado “IHPC”. O termo “harmonizado” advém do facto de todos os países da União Europeia seguirem a mesma metodologia, o que assegura que os dados relativos a um país podem ser comparados com os dados referentes a outro.

O que causa a inflação 2022?

Regra geral, num contexto de crise económica os preços tendem a descer. As famílias consumem menos, o que causa uma diminuição na procura e uma redução dos preços. Por outro lado, quando a economia se encontra em expansão, os preços aumentam. Neste contexto, as famílias tendem a consumir mais, o que aumenta a procura pelos diversos bens e serviços, e o seu preço.

No entanto, existem muitos outros fatores que são determinantes para a atual inflação 2022. A inflação também ocorre quando os preços sobem devido a aumentos nos custos de produção, como matérias-primas. Estes custos adicionais são passados ​​aos consumidores na forma de preços mais altos. É o que está a acontecer devido à guerra na Ucrânia e à escalada de preços de cereais, petróleo, fertilizantes ou gás-natural.

A inflação também pode ser causada por uma forte procura dos consumidores. Foi o que aconteceu com os preços de produtos essenciais durante o confinamento. Para além de aumentar a pressão na procura, a pandemia também complicou a gestão das cadeias de produção, levando a que a inflação aumentasse tanto pela via da procura como da oferta.

Com o fim da pandemia e a continuação da guerra na Ucrânia, as previsões para a inflação 2022 são inequívocas: a subida é para continuar. O Banco Central Europeu (BCE) reviu em alta a taxa de inflação da Zona Euro em 2022 de 3,2% para 5,1%. O Banco de Portugal também já veio ajustar as suas previsões. Em vez de subirem 1,8%, os preços deverão crescer 4% este ano, o que a confirmar-se será a maior taxa de inflação desde 2001.

Quais as consequências da inflação?

A inflação é importante porque significa uma perda de poder de compra real ao longo do tempo. Se não for acompanhada por um aumento dos rendimentos, é equivalente a um corte salarial.

Pense no dinheiro que tem na sua conta bancária ou em poupanças. Quando os preços sobem, já não consegue comprar tanto com esse montante. Para todos os efeitos, esse dinheiro perdeu valor.

Se é trabalhador por conta de outrem ou pensionista, está entre os grupos mais vulneráveis à inflação 2022. Enquanto quem gere um negócio pode passar o aumento de custos aos clientes (até um limite), quem tem rendimentos fixos ou poupanças terá mais dificuldade em aumentar as receitas pessoais de forma proporcional.

Com os preços a aumentar, pode até sentir necessidade de cortar nas compras ou recorrer a investimentos mais arriscados para recuperar poder de compra. Situações limite que tornam o controlo da inflação uma das principais prioridades do Banco Central Europeu.

Qual a influência da inflação 2022 no crédito à habitação?

O mercado imobiliário é especialmente afetado pelo atual cenário de inflação 2022. Os atuais constrangimentos nas cadeias de produção e logística estão a afetar os preços dos materiais e construção – da madeira e aço, aos pregos e rebites – e dos serviços relacionados, como a mão-de-obra e transporte.

Custos que, por sua vez, se repercutem para o consumidor e fazem subir o preço das casas, e dos créditos habitação. Com esta subida, também aumentam as rendas dos alugueres, à medida que os possíveis compradores se vêm sem capacidade financeira para comprar propriedades.

Quem adquiriu uma hipoteca de taxa fixa está mais protegido contra a inflação 2022. Nos empréstimos contraídos a taxa fixa, a taxa de juro do empréstimo mantém-se inalterada durante o prazo que tiver sido acordado com a instituição de crédito.

Durante esse período a prestação mensal mantém-se sempre igual. Isto significa que se as taxas de juro de mercado, por exemplo a taxa de juro Euribor que é afetada pela inflação, continuar a subir, com taxa fixa não se altera.

No entanto, em condições normais de mercado, a prestação de um empréstimo a taxa de juro fixa é mais elevada do que a prestação indexada à Euribor. O cliente paga um preço mais alto pela segurança de não vir a ter a sua prestação aumentada. Mas deve ponderar bem esta escolha, pois se a EURIBOR descer a sua prestação não desce.

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