“Inflação alta e descontrolada” tem mais consequências do que subida dos juros, diz BdP

A inflação elevada e a estabilidade financeira são os principais desafios que os bancos centrais hoje enfrentam, realça Hélder Rosalino, administrador do Banco de Portugal.

Cristina Bernardo

Hélder Rosalino afirma que o aperto da política monetária, através da subida dos juros, é a melhor ferramenta para controlar a escalada dos preços, numa altura em que se questiona se os bancos centrais estão a “atacar” o problema da melhor forma. De acordo com o administrador do Banco de Portugal, uma “inflação alta e descontrolada é o pior que pode acontecer ao rendimento das famílias”, com mais consequências do que a subida das taxas.

“Os bancos centrais precisam de se focar no seu mandato de garantir a estabilidade de preços”, com a “normalização da política monetária a ser necessária para reduzir a inflação e garantir a estabilidade económica e financeira”, começou por dizer Hélder Rosalino na Money Conference, organizada pelo “Diário de Notícias” e “Dinheiro Vivo” esta quinta-feira.

Nesse sentido, tanto nos EUA como na zona euro, os bancos centrais estão a avançar com a subida das taxas de juro. A Reserva Federal dos EUA aumentou as taxas para os 4%, enquanto o Banco Central Europeu subiu em mais 75 pontos base para 2%. Eas subidas não vão ficar por aqui, havendo a expectativa no mercado que alcancem os 5% do outro lado do Atlântico e os 3% na Europa em meados de 2023.

“Para já, a normalização na área do euro tem sido gradual dada a incerteza do enquadramento económico”, salientou o administrador do Banco de Portugal. E a “expectativa é que se consiga controlar a escalada dos preços”.

É, por isso, “fundamental explicar aos cidadãos que esta é a melhor forma de proteger os seus rendimentos”, numa altura em que “há quem questione se estas medidas estão a atacar o problema do lado certo”, frisou.

“Não há alternativa melhor que esta. A política monetária está a fazer o seu caminho e a desempenhar o seu papel”, nota o administrador, salientando que “uma inflação alta e descontrolada é o pior que pode acontecer ao rendimento das famílias”, com mais consequências do que a subida das taxas de juro.

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