Inflação é um risco para a recessão mas mercado de trabalho está forte, destaca secretária do Tesouro dos EUA

“É um risco quando a Fed [Reserva Federal, equivalente aos bancos centrais europeus] aperta a sua política monetária face à inflação”, disse a governante, acrescentando, no entanto, que os Estados Unidos têm “um mercado de trabalho forte, e é possível mantê-lo assim”.

REUTERS/Joshua Roberts

A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, admitiu hoje que as medidas tomadas pela Reserva Federal para controlar a inflação causam “um risco” de recessão, mas assegurou que os dados sobre o emprego vão continuar fortes.

“É um risco quando a Fed [Reserva Federal, equivalente aos bancos centrais europeus] aperta a sua política monetária face à inflação”, disse a governante, acrescentando, no entanto, que os Estados Unidos têm “um mercado de trabalho forte, e é possível mantê-lo assim”.

A taxa de inflação na maior economia mundial atingiu em junho o seu nível mais alto dos últimos 40 anos, antes de abrandar ligeiramente em julho para 8,5%, o que levou o banco central a aumentar as taxas de juro de referência para abrandar a atividade económica e aliviar a pressão sobre os preços.

Estas taxas definem a política dos bancos comerciais em termos dos juros que são cobrados nos empréstimos aos clientes particulares e empresariais, pelo que juros mais elevados têm um efeito quase mecânico no consumo e no investimento.

“A inflação é demasiado elevada e é essencial baixá-la”, assumiu Janet Yellen, que espera uma “aterragem suave”, ou seja, um regresso sem sobressaltos a um aumento de preços em torno dos 2% e evitando mergulhar a economia numa recessão, o que faria subir o desemprego.

“Creio que há uma forma de o fazer, mas os americanos sabem que é essencial baixar a inflação, e a longo prazo, não podemos ter um mercado de trabalho forte sem uma inflação sob controlo”, disse a governante numa entrevista à CNN, citada pela agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).

Embora o PIB da maior economia do mundo tenha contraído nos dois primeiros trimestres de 2022, que é a definição clássica de recessão, Yellen voltou a dizer que não era esse o caso: “Não estamos em recessão. O mercado de trabalho é excecionalmente forte (…) Há quase duas vagas para cada trabalhador à procura de emprego”, salientou.

A taxa de desemprego subiu ligeiramente em agosto, para 3,7%, em parte porque a taxa de participação aumentou, um sinal de que muitos trabalhadores que estavam sem emprego por causa da pandemia de Covid-19 estão agora a regressar ao mercado, escreve a AFP.

A economia norte-americana caiu nos dois primeiros trimestres deste ano (1,6% e 0,9%), o que corresponde à definição clássica de uma recessão – dois trimestres consecutivos de queda – mas o governo norte-americano e vários economistas têm apontado para outros indicadores mais positivos para afastar a ideia de que a maior economia do mundo pode estar em terreno negativo há já seis meses.

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