Inflação elevada vai pressionar banca portuguesa no médio prazo, diz DBRS

Os bancos portugueses aumentaram os seus resultados nos primeiros nove meses do ano, mantendo a qualidade do crédito. Ainda assim, alerta a DRBS, a inflação e o aumento dos custos da energia vão pressionar no médio prazo.

Os bancos portugueses conseguiram aumentar os seus resultados nos primeiros nove meses do ano, mantendo a qualidade do crédito, mas também a redução do crédito malparado. No entanto, alerta a DBRS, a inflação elevada e persistente e o aumento dos custos da energia podem colocar mais pressão sobre a banca no médio prazo.

“A maioria dos bancos superou os lucros alcançados antes da pandemia, beneficiando de um aumento significativo da margem financeira e das comissões, perante um cenário de subida das taxas de juro e recuperação sustentada da economia”, refere a agência de notação divulgada esta quinta-feira.

Por outro lado, o total de provisões e imparidades diminuiu 34% nos primeiros nove meses do ano, face ao mesmo período do ano anterior, o que “reflete, em alguns casos, uma reversão das provisões constituídas em 2020 e 2021” para responder ao impacto da pandemia de Covid-19.

Em termos trimestrais, o montante aumentou devido, sobretudo, ao reforço do BCP para fazer face aos riscos legais relacionados com empréstimos em francos suíços do seu banco na Polónia, o Bank Millennium

Também o total de crédito malparado continuou a diminuir, tanto em termos homólogos como em cadeia, com vários bancos a reportarem uma redução do “stock” de crédito em “stage 2”, ou seja, em risco de incumprimento, aponta a agência de notação.

“No entanto, na perspetiva da DBRS, a inflação persistente e o aumento dos custos com a energia vão aumentar a pressão sobre a banca e intensificar os riscos em torno da qualidade dos ativos no médio prazo”, refere.

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