Inflação no Reino Unido não deve abrandar até fevereiro e pode chegar a 12%

Apesar do recuo que se deverá registar em agosto e setembro, o aumento do teto máximo para a fatura energética das famílias britânicas deve continuar a empurrar o indicador de preços para as dezenas em outubro e até ao próximo ano, projeta o banco neerlandês ING.

A inflação no Reino Unido ultrapassou os 10% em julho pela primeira vez desde 1980, chegando aos 10,1% e superando as projeções dos analistas, que apontavam para 9,8%. O indicador subjacente também voltou a subir e a ultrapassar as expectativas, indicando que a pressão nos preços não deverá ainda ter chegado ao seu pico.

O departamento de análise do banco ING projeta que o indicador se fixe em torno dos 12% entre outubro deste ano e fevereiro do próximo, dado o impacto da energia noutras categorias e sectores da economia.

A inflação core, como é referida vulgarmente a variação do índice de preços no consumidor (IPC) sem as componentes energética e alimentar não-transformada, chegou a 6,2%, dado o aumento nos custos da habitação, que aceleraram 20% em termos homólogos.

Em sentido inverso, os transportes registaram uma redução marginal, passando de 14,9% no mês anterior para 14,8%, o que não compensou os aumentos registados noutras categorias como a cultura, turismo ou alimentação e bebidas não-alcoólicas. Isto, segundo os analistas do banco neerlandês ING, deixa antever novas subidas nas leituras após setembro.

“No próximo mês, a inflação deverá cair abaixo dos 10%, dada a queda de quase 7% nos preços médios dos combustíveis”, começa por afirmar a nota de pesquisa do banco. No entanto, este alívio será “apenas temporário, [visto que] vem aí um aumento de 75% no teto dos custos da energia para as famílias”.

Esta medida significará uma passagem de 2 mil libras (2.368,88 euros) para 3.500 libras (4.145,87 euros) na conta média da energia das famílias britânicas, conta essa que chegará mesmo às 5 mil libras (5.922,66 euros) em abril do próximo ano e aumentando ainda mais os custos associados a habitação.

Ao mesmo tempo, os salários têm subido nos últimos meses, mas a um nível bastante abaixo da inflação registada, o que significa uma perda do poder de compra dos cidadãos britânicos. Ainda assim, o Banco de Inglaterra manter-se-á atento à dinâmica salarial, procurando evitar um maior agravamento dos preços e, sobretudo, das perspetivas de inflação de médio e longo prazo, de forma a prevenir efeitos de segunda ordem que gerem espirais inflacionistas.

A projeção do ING passa assim por uma nova subida dos juros em 50 pontos base (p.b.) na próxima reunião de política monetária do banco central, em setembro, mantendo em aberto a possibilidade de mais um aumento em novembro.

Recomendadas

Cinco milhões para ações de emergência na serra da Estrela até final do ano

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, disse que o Fundo Ambiental disponibiliza, até ao final do ano, cerca de cinco milhões de euros para ações de emergência.

Costa Silva: Próximos anos não vão ser “cor-de-rosa” para a economia portuguesa

António Costa Silva, ministro da Economia, afirma que “não é com receitas do passado que vamos resolver os problemas”, defendendo que “para resolver os problemas de curto prazo, precisamos de uma visão de longo prazo”.

Dionísio Pestana pede reforma dos impostos como apoio às empresas

O presidente do Grupo Pestana afirma não precisar de ajudas diretas, perante o cenário de incerteza, mas pede ao Governo que avance com uma reforma nos impostos, apontando para a TSU.
Comentários