Inflação no Reino Unido voltou a acelerar em outubro para máximos de 41 anos

A pressão nos preços continua a agravar-se no Reino Unido, tendo atingido os 11,1% em outubro, com a energia a continuar a desempenhar um papel chave neste fenómeno. Ainda assim, sem as medidas do Governo quanto aos preços do gás natural e eletricidade, inflação estaria já em 13,8%.

Henry Nicholls, Reuters

Mais uma leitura, mais uma subida: a inflação em outubro no Reino Unido atingiu 11,1%, um novo máximo desde 1981 e acima dos 10,7% esperados pelos analistas consultados pela “Reuters”, com a energia e alimentação a continuarem a pesar nos bolsos das famílias britânicas.

No mês anterior, a taxa de inflação homóloga havia ficado nos 10,1%, voltando a subir naquela altura depois de um ligeiro alívio em agosto.

O fenómeno da inflação continua a ser motivado, sobretudo, pela energia, que regista uma aceleração de 26,6% em outubro, quando havia ficado em 20,2% no mês anterior. Olhando com detalhe, o gás natural registou uma subida de 128,9%, enquanto a eletricidade encareceu 65,7%.

Estes aumentos foram, ainda assim, contidos pelas medidas de combate à inflação decretadas pelo Governo britânico. O gabinete nacional de estatística do Reino Unido afirma que, sem estas, a inflação teria chegado a 13,8% no mês em análise, dada a contenção dos preços do gás e eletricidade no fornecimento doméstico.

Um aspeto positivo prende-se com a manutenção da inflação subjacente em 6,5%, valor semelhante ao do mês anterior. No entanto, a expectativa do mercado e analistas era de uma redução marginal de 0,1 pontos percentuais, pelo que até este número acabou por desiludir.

O Banco de Inglaterra vê-se assim em terrenos ainda mais complicados de gerir, depois de ter reconhecido que a economia britânica estava em linha para uma recessão forte que pode durar dois anos. Perante estes dados, é praticamente um dado adquirido que as subidas de juros terão de continuar, apontam os especialistas.

Estes dados surgem ainda na véspera da apresentação da proposta de Orçamento do Estado de Jeremy Hunt, o sucessor de Kwasi Kwarteng como chanceler do Tesouro do Reino Unido, e não deverão facilitar a sua tarefa.

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