Iniciativa Liberal diz que “estamos perante uma efetiva nacionalização da TAP”

João Cotrim Figueiredo garante que o plano de reestruturação da transportadora aérea, que não lhe foi apresentado por Pedro Nuno Santos, não tem viabilidade ou condições de ser aprovado. E disse que o apoio do Estado é desproporcionado face ao seu peso na economia portuguesa.

Presidente do Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim Figueiredo | Foto: Cristina Bernardo

O presidente e deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, saiu da reunião com o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, com a convicção de que “estamos perante uma efetiva nacionalização da TAP”. Isto porque terá sido assumido pelo Governo que “pelo menos boa parte” dos 1.200 milhões de euros de empréstimo do Estado à empresa previstos no Orçamento Suplementar serão convertidos em capital social, elevando a posição acionista do Estado para “bem acima de 90%”.

“Não foi o único engano a que o Governo induziu os portugueses durante este processo. Também disse que era fundamental para a economia portuguesa sustentar a TAP, mas chamo a atenção para estes dados: está-se a preparar um apoio de três mil milhões de euros até 2025, enquanto toda a economia portuguesa recebeu, em lay-off, apoios à retoma da atividade económica, isenções de taxas e adiamentos do pagamento de conta 2.500 milhões de euros”, disse Cotrim Figueiredo, realçando que o apoio que está a ser concedido à transportadora aérea é claramente desproporcionado. “A TAP representa 2% do PIB e recebe 33% dos apoios”, disse.

“O país não tem condições para acudir a todas as empresas como tem feito com a TAP”, prosseguiu o líder da Iniciativa Liberal, quando lhe foi perguntado se o partido preferiria o encerramento da empresa, mas considerou que “é muito difícil que três mil milhões de euros sejam justificáveis neste contexto”. E realçou que a intervenção do Estado na empresa não está a garantir a manutenção de postos de trabalho, visto que, depois dos 2.600 que já deixaram de existir, se prevê a redução de 2.100 empregos até 2025, bem como a suspensão do acordo de empresa.

Mesmo sem se referir ao plano de reestruturação, tendo dito que Pedro Nuno Santos não o apresentou durante a reunião, João Cotrim Figueiredo disse que “estão reunidas as condições para que não tenha viabilidade e condições para ser aprovado”.

João Cotrim Figueiredo referiu-se ainda à situação no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, na sequência do homicídio de um cidadão ucraniano sob custódia dessa força da autoridade no aeroporto de Lisboa. Além de questionar a promoção do diretor-adjunto José Luís Rosário Brandão, que é ex-chefe de gabinete do ministro da Administração Interna e tem um currículo de “grande ativista do PS”, Cotrim Figueiredo voltou a dizer que Eduardo Cabrita “não tem condições para ficar no Governo”.

Comentando declarações da líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, de que o ministro tem “explicações a dar”, o líder da Iniciativa Liberal centrou-se no que considera serem opiniões “preocupantemente diferentes” no seio do Executivo. “Não é um Governo. É um conjunto de individualidades que se reúnem à quinta-feira para tomar decisões sobre o país”, disse.

 

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