Iniciativa Liberal exige que Siza Vieira divulgue estudo da McKinsey que justifica apoios à TAP

Documento feito pela consultora em conjunto com o Gabinete de Estudos do Ministério da Economia foi referido pelo governante na Assembleia da República, mas João Cotrim Figueiredo aponta-lhe contradições em relação a outro estudo sobre sectores críticos para o crescimento económico.

António Cotrim/Lusa

O deputado único e presidente da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, entregou um requerimento na Assembleia da República em que exige que o Ministério da Economia e da Transição Digital entregue aos deputados um estudo, feita pela consultora McKinsey em conjunto com o Gabinete de Estudos do Ministério da Economia, onde se conclui que “o sector do transporte aéreo é dos mais críticos para o futuro da economia portuguesa”.

Segundo o partido, este parecer pretende “justificar a inevitabilidade dos vultuosos apoios financeiros concedidos e a conceder à TAP”, mas contradiz as conclusões do estudo “Covid-19: Retoma da Economia Portuguesa”, elaborado em junho e disponível no site do Gabinete de Estratégia e Estudos do mesmo ministério, no qual o transporte aéreo surge nas últimas posições entre aqueles que mais deverão receber apoio estatal.

Segundo o requerimento da Iniciativa Liberal, isto significa uma contradição entre os dois documentos “no que diz respeito à razoabilidade da injeção de dinheiro dos contribuintes na TAP”, tornando essencial a divulgação do estudo realizado em colaboração com a McKinsey a que Pedro Siza Vieira se referiu a 11 de dezembro, na Assembleia da República. Nessa ocasião, o ministro de Estado e da Economia disse que se tratava de “uma avaliação de quais são os sectores críticos para o crescimento da economia portuguesa em função do impacto que a pandemia está a ter” e de “quais os sectores e empresas em que devemos concentrar a nossa atenção porque, a desaparecerem, o prejuízo para a economia portuguesa era mais elevado”.

Considerando “importante esclarecer esta contradição entre um estudo conhecido e outro que não é público”, a Iniciativa Liberal defende que o documento elaborado pelo Gabinete de Estudos do Ministério da Economia em conjunto com a consultora, avaliando sectores de importância crucial para a economia nacional, “é fundamental para a compreensão do foco dos auxílios estatais à economia portuguesa e para a fiscalização política destes mesmos auxílios”.

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