Inovação e aposta no digital para competir no mercado estrangeiro

Especialistas defendem que os processos empresariais devem ser cada vez mais incorporados com meios tecnológicos, ao mesmo tempo que destacam a importância de conseguir atrair e reter talento. Por Rodolfo Alexandre Reis

1. De que precisam as empresas para serem mais competitivas no exterior?

 

Marta Moreira Dias
Vogal do Conselho Diretivo do .PT

1. As empresas portuguesas competem, hoje, num mercado global, onde é cada vez mais importante posicionarem-se como empresas inovadoras para competirem com negócios de outros países. Para essa inovação, é fundamental que incorporem a tecnologia nos seus processos. Na Rampa Digital, oferecemos às empresas e organizações diagnósticos gratuitos sobre as suas competências na utilização do digital para comunicar e gerar vendas, para chegar a mais públicos e angariar mais apoios e investimentos, para identificarem novas tendências e darem o salto para novos mercados. Depois, com base nestes diagnósticos, propomos formações gratuitas em várias plataformas, desde as redes sociais, passando por ferramentas de publicidade, de vendas online ou e-mail marketing, que ajudam as empresas a lançarem-se na rampa e continuarem um caminho de sucesso. Estamos certos que, com esta ajuda, vamos contribuir para aumentar a competitividade do nosso tecido empresarial, sobretudo das micro, pequenas e médias empresas.

 

Gonçalo Correia
Key Account da Azeol

1. Depende muito do produto que estamos a trabalhar. Em termos de azeite temos a vantagem de não concorrer com o mundo todo. Concorremos diretamente com a faixa mediterrânica: Espanha, Marrocos, Tunísia, Itália e França um pouco menos. Portugal tem um produto de excelência, não temos problema nenhum de azeite, porque é um produto muitíssimo bom e reconhecido no mundo todo. O que temos de fazer é mais divulgação, porque o mais difícil está feito, que é ter um produto de excelência. Onde muitas vezes temos dificuldades é em sermos concorrenciais em termos de custo. Em Portugal não temos uma fiscalidade muito atrativa. Temos alguns processos burocráticos se quisermos fazer algumas alterações. Às vezes para abraçar um projeto podemos ter aqui algum delay em relação a um concorrente nosso noutro país. Quando a diferenciação impacta no preço nós temos muita dificuldade em ser competitivos, porque temos um problema de escala, fiscal e de flexibilidade entre outras coisas. Temos de fazer um trabalho de divulgação da marca, porque quando se mete uma bandeira italiana a porta é mais fácil de se abrir, do que quando se mete uma portuguesa. Mas isso são tudo trabalhos de anos e que Portugal começou a fazer relativamente há pouco tempo em relação a outros países.

 

Duarte Miguel Freitas
CEO da Anturio

1. Todas as empresas hoje em dia precisam de uma plataforma digital para realmente se internacionalizarem. O que nós disponibilizamos às empresas é toda esta plataforma que permite ligar os clientes aos colaboradores e aos fornecedores via online. Isto permite-nos realmente que consigamos ir lá para fora de uma forma muito mais fácil, conseguindo ligar todas as equipas de comerciais a nível internacional, ligar os fornecedores e equipas que também técnicas que hoje em dia também já funcionam de uma forma muito além-fronteiras. Vemos que todas as empresas cada vez mais são tecnológicas. Os próprios bancos, nós olhamos para eles hoje em dia como umas tecnológicas financeiras. Por isso, a convergência e a aposta é certa, é o factor tecnológico digital e nós estamos aqui para garantir essa transformação a todas as empresas para terem uma base sólida e poderem explorar lá fora.

 

Nuno Rangel
CEO da Rangel Logistics Solutions

1. Para atuar e ter sucesso nos mercados externos é necessário um bom planeamento estratégico e uma boa definição do modelo competitivo face aos mercados onde decidimos atuar. O mundo é cada vez mais pequeno e qualquer empresa ambiciosa deve equacionar o potencial do seu negócio de ser escalado a uma dimensão global, seja através da internacionalização, seja da exportação. Em ambos os cenários um dos pontos principais está em encontrar talento, e apostar nos recursos humanos, porque são as pessoas que fazem a diferença. Importante haver incentivos na ajuda a manter os melhores recursos humanos e mais bem preparados em Portugal e ajudar a captar talento estrangeiro. Em simultâneo a inovação e digitalização são também absolutamente essencial no sucesso das empresas e no salto significativo na sua produtividade, sendo crítico aumentarmos a produtividade dos nossos recursos humanos. A competitividade de uma empresa pode e deve ainda ser ajudada por medidas e apoios do Estado. Às empresas que se internacionalizam e que têm uma grande % das suas receitas nas exportações é necessário aliviar a carga fiscal, incentivando mais investimento e a sua capitalização. Importante também disponibilizar linhas de crédito competitivas para ajudar as empresas que exportam, quer bens ou serviços. O claro caminho das empresas portuguesas deve ser apostar nas exportações, pois tem-nos mostrado que são essenciais para o sucesso das nossas empresas e do nosso país. Um indicador que devemos seguir por perto é o peso das exportações no PIB nacional. As exportações portuguesas em 2021 tiveram um peso no PIB de 42%, e no primeiro semestre de 2022 o peso é de 49%. Há 15 anos, o peso das exportações no PIB era de 31%. Podemos assim dizer que temos feito um caminho positivo, dando cada vez mais relevo às exportações portuguesas, mas ainda não é suficiente. Temos de ser mais ambiciosos e devíamos colocar como meta mínima o peso das exportações no PIB nacional acima dos 60%.

 

Pedro Neto
Partner apoios e incentivos da Moneris

1. Em primeiro lugar as empresas têm que olhar para aquilo que são as suas competências internas e se o seu produto é escalável em termos internacionais. Muitas vezes nós pensamos na internacionalização, mas as empresas não têm ainda os seus processos e produtos preparados para um processo de internacionalização. Por outro lado, também é premente antes de uma fase de internacionalização que é o investimento que as empresas têm de fazer. É olharem também novamente para dentro de casa e ver que competências é que precisam de ter para irem para os mercados estrangeiros. Já aconteceu por diversas vezes eu ter empresas que vão participar numa feira internacional, onde têm contactos com empresas francesas ou inglesas, mas depois não dão seguimento porque não têm ninguém que domine essas línguas. São questões muito básicas. Se nós temos competências e pensarmos que este é um processo longo, que se faz de forma permanente de interação com os mercados. Ou seja, há muitas empresas que pensam que ir ao mercado de forma isolada, como se fossem com uma mala de cartão vender, isso já não existe. Os processos hoje demoram mais, tem que se criar relações com os mercados e essas relações são dispendiosas e têm de ser feitas por pessoas competentes, que tenham disponibilidade para ir aos mercados e sabendo que os resultados não vão ser imediatos. A empresa tem de ter consciência de que é um investimento que tem de colocar em termos daquilo que é o seu budget para ter depois uma performance financeira adequada.

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