Insegurança é “elevada”: como a OCDE vê o mercado de trabalho em Portugal

Relatório sobre estratégia de empregos diz que Portugal baixou visivelmente a taxa de desemprego nos últimos anos. Mas a insegurança do mercado de trabalho continua acima da média da OCDE devido aos elevados riscos relacionados com desemprego como é o caso do desemprego de longa duração.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) defende que a situação do mercado de trabalho em Portugal melhorou visivelmente nos últimos anos com a taxa de desemprego a cair de 16,5% em 2013 para  9% em 2017 e 6,6%  em Setembro deste ano. Mas a insegurança do mercado de trabalho “é relativamente elevada” em comparação com os países da OCDE devido aos elevados riscos relacionados com desemprego como é o caso do desemprego de longa duração

A conclusão consta no relatório sobre nova Estratégia de Empregos, divulgado nesta terça-feira, 4 de dezembro, pela OCDE, onde esta organização alerta que os governos precisam fazer mais para ajudar trabalhadores e empresas a adaptarem-se ao mundo do trabalho que está em rápida mudança e impulsionar o crescimento inclusivo. De acordo com a nova Estratégia de Empregos da OCDE, qualidade do emprego e inclusão devem ser as prioridades centrais destas políticas.

“A insegurança do mercado de trabalho é relativamente alta em comparação com os países da OCDE devido aos altos riscos relacionados com desemprego – não apenas o risco de se tornar desempregados, mas também de ficar desempregado por um longo período de tempo”, revela a OCDE, realçando que Portugal tem ainda “uma elevada incidência de trabalho temporário”.

Ao analisar a qualidade dos indicadores do mercado de trabalho, nomeadamente ao nível da insegurança do mercado de trabalho, a OCDE posiciona Portugal com 7% aquém da média da OCDE de 4,9%.

Já ao nível da quantidade, o relatório conclui que a situação do mercado de trabalho em Portugal “melhorou visivelmente nos últimos anos”, recordando que a taxa de desemprego caiu de 16,5% em 2013 para cerca de 9% em 2017. “No entanto, em parte, como o legado do recessão, Portugal pontua abaixo da média OCDE”, frisa o relatório, onde Portugal surge com 9,2% acima da média da taxa de desemprego da OCDE, de 5,9%

“A taxa de desemprego continua elevada – especialmente entre jovens e pessoas pouco qualificadas – e o número de desempregados de longa duração também permanece relativamente alto”, conclui a OCDE com referência a indicadores de 2017.

Já sobre os indicadores relacionados com a inclusão no mercado de trabalho, a OCDE considera que  são “diversos”. A taxa de pobreza geral situa-se em torno da média da OCDE. Enquanto a diferença nos rendimentos do trabalho entre homens e mulheres está a crescer nos últimos anos, permanecendo abaixo da média da OCDE: 29% em Portugal, contra 38,1% da média da OCDE.

O relatório destaca ainda que Portugal pontua bem em relação à média da OCDE em termos resiliência do emprego, refletindo o fato de que a extensão e a persistência de aumento do desemprego após crises económicas serem “ limitadas”.

 

Flexibilidade no mercado trabalho “não é suficiente” para qualidade e inclusão no emprego

Os países que promovem a quantidade, a qualidade e a inclusão no emprego – como Dinamarca, Islândia, Noruega e Suécia – apresentam um desempenho melhor do que aqueles que se concentram predominantemente na flexibilidade do mercado, conclui a OCDE no relatório, onde a organização defende bons empregos para todos num mundo de trabalho em mudança e diz que caminho passa por promover um mercado de trabalho inclusivo, passando de políticas correctivas para políticas de prevenção.

“Embora flexibilidade e adaptabilidade sejam essenciais para estimular a criação de empregos de alta qualidade num ambiente cada vez mais dinâmico, os ganhos e custos precisam de ser compartilhados de forma justa entre empresas e trabalhadores”, defende a OCDE.

Para esta organização as políticas têm de conseguir  um “equilíbrio correto” entre flexibilidade e estabilidade no emprego”, dando conta que o desafio está em assegurar que os recursos possam ser reafetados a utilizações mais produtivas, ao mesmo tempo que é proporcionado um nível de estabilidade no emprego que fomente a aprendizagem e a inovação no local de trabalho.

Recomendadas

OE2022. Pagamentos em atraso sobem para 778,1 milhões até agosto

Os pagamentos em atraso das entidades públicas atingiram os 778,1 milhões de euros em agosto, um aumento em 157,6 milhões de euros face ao mesmo período do ano anterior, avançou esta segunda-feira a Direção-Geral do Orçamento (DGO).

OE2022. Receita fiscal do Estado aumenta 22,8% até agosto para 33,5 mil milhões

A receita fiscal do Estado aumentou 22,8% até agosto face ao mesmo período do ano passado, totalizando 33.511,5 milhões de euros, segundo a Síntese da Execução Orçamental divulgada esta segunda-feira.

OE2022. Resposta à Covid-19 custou ao Estado 2.835,2 milhões até agosto

A resposta à covid-19 custou 2.835,2 milhões de euros até agosto, devido à perda de receita em 464,5 milhões de euros e ao aumento da despesa em 2.370,7 milhões, avançou esta segunda-feira a Direção-Geral do Orçamento (DGO).
Comentários