Insegurança em Moçambique impede mais investimentos

O CEO do Standard Bank de Angola, Luís Teles, considera que a insegurança em Moçambique é o maior impedimento a um fluxo mais investimento no país, que apostou na recuperação da credibilidade para relançar a economia.

António Silva/Lusa

“Há confiança no país, no potencial que Moçambique tem para o futuro, mas existem alguns desafios, nomeadamente a segurança, que é fundamental e que tem de ser ultrapassado para permitir estes grandes investimentos”, disse Luís Teles, à margem da conferência sobre investimentos em Angola e Moçambique, que decorreu esta semana em Lisboa.

“Temos visto apetite internacional dos investidores em irem para Moçambique e continuarem a investir no país”, disse Luís Teles, salientando, no entanto, que a situação de insegurança age como obstáculo a um fluxo mais robusto de investimentos, nomeadamente no norte do país, onde uma insurgência armada levou a Total, líder do consórcio que vai explorar uma das maiores reservas mundiais de gás, a suspender as obras para a exploração de gás.

Depois do escândalo das dívidas ocultas, conhecidas em 2016, Moçambique apostou num caminho de recuperação da credibilidade internacional que foi arrasada na altura, e esse caminho está agora a dar frutos, não só em novos investimentos, como no regresso das instituições financeiras internacionais que suspenderam o apoio orçamental ao Governo.

“Investiram na credibilidade internacional, na governação, na transparência, a relação com as instituições de desenvolvimento multilateral é fundamental, é isso que Moçambique tem vindo a fazer e tem tido bons resultados”, disse Luís Teles, lembrando que os países menos desenvolvidos têm opções de financiamento mais limitadas.

“Não nos podemos esquecer que os países africanos não têm as mesmas opções de financiamento que têm os países da União Europeia, são outras realidades, e as relações com as instituições de desenvolvimento multilaterais são críticas, porque quando há crises ou choques externos, são a única opção que têm para apoiar o crescimento das economias”, salientou o banqueiro responsável pelas operações do Standard Bank em Angola e em Moçambique.

Questionado sobre a razão de não operar em Portugal, Luís Teles respondeu que o grupo já tem escritórios no Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Dubai e China e “entendeu que essas praças financeiras tinham dimensão suficiente para ter contacto com os grandes investidores internacionais em África”, não sendo, por isso, necessário estar em Portugal.

“A nossa presença internacional permite entrar em contacto com esses investidores nessas praças financeiras para captar capital para investir em África, e complementamos com outras iniciativas nos países onde não estamos presentes com este tipo de iniciativas para fomentar esse interesse e conhecerem melhor as economias africanas”, explicou.

Moçambique tem três projetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado, mas a província é aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.

Desde julho do ano passado, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde agosto de 2020.

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