Investimento em ações ganha peso nas carteiras das seguradoras

A dívida pública portuguesa continua a ter um peso de relevo, com um valor da ordem dos 10 mil milhões de euros, diz a APS. Apesar do investimento neste produto ter diminuído em relação ao trimestre anterior. Os montantes investidos pelas seguradoras em obrigações no final do primeiro semestre de 2015 continuaram a assumir a […]

A dívida pública portuguesa continua a ter um peso de relevo, com um valor da ordem dos 10 mil milhões de euros, diz a APS. Apesar do investimento neste produto ter diminuído em relação ao trimestre anterior.

Os montantes investidos pelas seguradoras em obrigações no final do primeiro semestre de 2015 continuaram a assumir a maior fatia da carteira de investimentos afetos (68,7% do total), mas o seu peso voltou a reduzir-se pelo segundo trimestre consecutivo, consolidando a tendência já verificada desde finais de 2012.

Esta redução é explicada pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS) por “fatores conjunturais e pelas baixas rentabilidades atualmente oferecidas para investimentos em obrigações em consequência da descida generalizada das taxas de juro”.

Apesar de ter diminuído em relação ao trimestre anterior, o investimento em dívida pública representa quase metade desta fatia das obrigações e um terço da carteira total, continuando a dívida pública portuguesa a ter aqui um lugar de relevo, com um valor da ordem dos 10 mil milhões de euros.

Aquelas circunstâncias levaram as seguradoras a procurar, ainda que “de forma muito controlada, outro tipo de investimentos com rentabilidades esperadas superiores”, refere a APS em comunicado.

Exemplo desta estratégia continua a ser o reforço das aplicações em ações, ainda que o seu peso na carteira global de ativos não ultrapassasse os 7,3% no final do primeiro semestre deste ano (ou 10,8% se englobados também os fundos de investimento em ações).

Ainda em relação à decomposição da carteira por tipo de ativos, no primeiro semestre deste ano perderam peso os depósitos, a dívida privada e os produtos estruturados. No final do primeiro semestre de 2015, a carteira de ativos de investimento do setor segurador está um pouco acima dos 53 mil milhões de euros, o que representa uma ligeira variação negativa de 0,2% em relação ao final do primeiro semestre de 2014.

Esta ligeira quebra “não é alheia à instabilidade observada nos mercados financeiros durante o segundo trimestre de 2015, em particular na zona euro, muito fruto do impasse político em torno das negociações do terceiro programa de resgate à Grécia, que contribuiu para inverter a tendência de queda nas taxas médias de rentabilidade da dívida pública desta zona e, consequentemente, desvalorizar os respetivos ativos em carteira”, adianta a Associação Portuguesa de Seguradores no mesmo comunicado.

A APS, refere ainda que, no ano passado, as seguradoras europeias tinham 9.900 mil milhões de euros de ativos sob gestão, de acordo com dados divulgados pela Insurance Europe, Federação Europeia de Seguradores e Resseguradores.

Carlos Caldeira/OJE

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