Investimento em imobiliário comercial atingiu os 640 milhões no primeiro semestre

A contribuir para este valor estiveram os segmentos de hotelaria e logística, tendo sido responsáveis por 66% do montante investido. No entanto, esta verba ficou 15% abaixo quando comparada ao período homólogo de 2021.

O investimento em imobiliário comercial atingiu os 640 milhões de euros no primeiro semestre do ano, um valor que ficou 15% abaixo do registado no mesmo período de 2021, segundo os dados do research trimestral, ‘Market Pulse’ da consultora JLL divulgados esta quinta-feira, 4 de agosto.

Os grandes impulsionadores desta verba foram os segmentos de hotelaria e logística, tendo sido responsáveis por 66% do montante investido.

Olhando apenas ao segundo trimestre de 2022 verificou-se um investimento de 436 milhões de euros (68% do volume semestral), com estes dois setores a gerarem 370 milhões de euros, o que representou 84% do investimento.

Numa análise por segmento, os dados do estudo da consultora referentes à hotelaria indicam que até maio deste ano foram registados 8,55 milhões de hóspedes para um total de 21,4 milhões de dormidas, mais que duplicando os níveis de 2020 e 2021 e apenas 10% abaixo de 2019.

Em Lisboa, o valor médio diário no segundo trimestre atingiu os 139 euros, mais 15 euros do que em 2019, enquanto no Porto esse indicador foi de 115 euros ficando perto dos 120 euros registados em 2019. Em relação à oferta, o segundo trimestre verificou a abertura de dois hotéis de cinco estrelas no centro de Lisboa e outro em Cascais.

Nota também para a abertura de uma unidade de quatro estrelas no Porto e uma de cinco estrelas no Algarve, num volume total de 255 quartos e 533 camas.

No mercado residencial destaque para o equílibrio entre compradores portugueses e internacionais, com quotas de cerca de 50% cada um, no primeiro semestre, com os Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha como principais mercados.

Em Lisboa, o preço médio de venda no segundo trimestre foi de 4.240euros/m2, atingindo os 10 mil euros/m2 nas casas novas do segmento mais elevado do mercado. Já no Porto, o preço médio foi de 3.200 euros/m2, atingindo os 6.300 euros/m2 na habitação nova do segmento mais elevado.

No que toca ao segmento de escritórios a cidade de Lisboa registou uma absorção de 168 mil m2 no primeiro semestre do ano, superando a absorção anual de 2021. Mais de 60% da ocupação ocorreu no segundo trimestre. As empresas de Serviços Financeiros foram as mais dinâmicas quer no trimestre quer no semestre, enquanto em termos de zonas se evidenciou o Parque das Nações.­­

Nesta altura estão cerca de 260 mil m2 de escritórios em construção em Lisboa, dos quais 61% prevê certificação a nível de sustentabilidade.

Já no Porto, o take-up anual ascendeu aos 30.300 m2, superando o mesmo período dos últimos três anos. Mais de 80% foi ocupado no segundo trimestre, que soma 24.500 m2. As empresas de TMT’s & Utilities dominam a procura em termos semestrais e trimestrais, sendo a zona CBD Baixa a mais procurada.

Neste momento contabilizam-se 81.100 m2 de novos escritórios em construção no Porto, tendo sido concluídos 19.500 m2 de escritórios no segundo trimestre.

No segmento do retalho, o estudo indica uma “recuperação, apesar da inflação, o que poderá resultar da ‘compra por vingança depois de dois anos anémicos”. A escassez de oferta continua a ser um dos principais problemas, sendo que na cidade de Lisboa encontram-se em renovação alguns edifícios em localizações centrais que têm vindo a somar novos espaços ao mercado.

“De evidenciar a consolidação da Avenida dos Aliados no Porto como localização de retalho premium, com boas perspetivas para novas inaugurações até ao final do ano”, revela o estudo que alerta para um aumento das rendas prime no retalho de rua nos próximos meses. Em Lisboa está em 130 euros/m2, enquanto no Porto é de 65 euros/m2. Nos centros comerciais prime a renda é de 115 euros/m2.

Por fim no segmento industrial & logística observou-se uma ocupação no primeiro semestre de 160 mil m2, dos quais 77 mil m2 foram no segundo trimestre, sendo que neste período 58% da ocupação foi na região de Lisboa. A nível semestral, o eixo Palmela-Setúbal foi a zona mais ativa na absorção devido à tomada de 40 mil m2 devido à entrada de uma nova empresa em Portugal.

Já o eixo Alfragide-Carnaxide e as áreas de Lisboa-cidade dominam os valores, ambos em 6,25 euros/m2. No Porto a renda praticada é de 4 euros/m2, nomeadamente na zona de Leixões. Ao nível da oferta, existem vários projetos em pipeline, destacando-se três em construção, no eixo Alverca- Azambuja (115 mil m2), em Palmela/Setúbal (30 mil m2) e no eixo Montijo-Alcochete (14 mil m2).

Pedro Lencastre, CEO da JLL Portugal acredita que “as perspetivas para os próximos trimestres mantém-se positivas com o foco nos segmentos que têm tido maior procura em termos de volume. Acreditamos que 2022 vai superar o montante transacionado o ano passado. Existem atualmente muitos portfólios já em processo de venda e outros em fase de negociação”.

Por outro lado, o responsável alerta que “um dos principais desafios do mercado imobiliário português continua a ser as limitações do lado da oferta, transversais a todos os segmentos. Acontece que há um forte aumento nos custos de construção e é natural que os novos produtos planeados sofram ajustamentos, afetando ainda mais o fluxo de oferta disponível”.

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