Investimento em imobiliário comercial atinge 969 milhões de euros até setembro

Entre janeiro e setembro, o imobiliário comercial em Portugal atraiu um investimento total de 969 milhões de euros, dos quais 92% de origem internacional. Os imóveis de escritórios e retalho continuam a ser os preferidos dos investidores.

De acordo com o research Market Pulse, da consultora JLL,  referente ao 3º trimestre de 2016, os fundos de investimento são a classe de investidores mais ativa no mercado português, concentrando mais de metade do volume transacionado, cerca de 500 milhões de euros, seguidos dos privados e family offices, que foram responsáveis por 30% investimento (aproximadamente 300 milhões de euros). Os REIT’s, nomeadamente os de origem espanhola (as denominadas SOCIMI), tiveram um peso de 11% no valor investido (cerca de 100 milhões de euros).

Os imóveis de escritórios e retalho continuam a ser os preferidos dos investidores, concentrando, em conjunto, 85% do montante total investido (826 milhões de euros), peso que dividem entre si de igual forma (42% cada). Já no segmento de hotelaria e turismo, o investimento tem-se mostrado menos dinâmico este ano, mas em 2015 realizaram-se diversas operações de referência – como a venda de diversas unidades Tivoli e Pestana – que fizeram disparar o investimento neste setor. O setor logístico e industrial pesa apenas 4% (39 milhões de euros) do volume total.

O estudo da JLL revela ainda que, no final do 3º trimestre, as yields se mantiveram estabilizadas face ao trimestre anterior, mas continuaram a apresentar uma ligeira compressão face ao mesmo período do ano passado, embora a consultora sublinhe que estas taxas estão já bastante comprimidas e em níveis semelhantes registados aos mínimos observados em 2007, quando o mercado atingiu um pico de atividade.

Comércio de rua de Lisboa com a yield mais baixa

O comércio de rua de Lisboa apresenta a yield mais baixa (5%), seguem-se os escritórios do Prime CBD e os centros comerciais com taxas de capitalização de 5,25% e 5,5%, respetivamente. A yield mais elevada do mercado é observada nos escritórios no Corredor Oeste (7,75%). A JLL nota ainda que a compressão das yields continua a distanciar o mercado nacional de mercados emergentes e percecionados como de maior risco, como são os casos de Zagreb e Budapeste, mas tende para uma maior aproximação com mercados mais consolidados na Europa, como Madrid, Amesterdão ou Berlim.

Relativamente aos escritórios, a absorção nos primeiros nove meses de 2016 ascende já a 97.514 m2, cerca de 7% abaixo de 2015. A taxa de disponibilidade voltou a descer, estando agora nos 10,3%, a mais baixa desde 2009. Também as rendas prime voltaram a subir em várias zonas, numa altura em que a oferta futura continua relativamente limitada – apenas cerca de metade da oferta em construção até 2018 será especulativa. A renda prime de referência no mercado de escritórios é de 18,5 euros/m2/mês.

Também o imobiliário de retalho mantém-se dinâmico, animado pelo aumento das vendas a retalho, pela solidez da confiança dos consumidores e pelo crescimento do turismo. O comércio de rua, em particular nas zonas históricas, tem beneficiado deste aumento de turistas, mas também do regresso à vivência de bairro, com diversas zonas residenciais a registarem crescimento no comércio de conveniência. Ambas as cidades de Lisboa e Porto exibem esta dinâmica, com algumas das zonas mais procuradas da capital – casos do Chiado e da Baixa – a denotaram escassez de espaços disponíveis, especialmente de maior dimensão.

A renda prime em Lisboa é de 120 euros/m2/mês (no Chiado) e no Porto é de 55 euros/m2/mês (na Rua de Santa Catarina). Quanto ao setor dos centros comerciais, abriram na primeira metade do ano o Novo Arcada, em Braga (68.000 m2), e o Rio Retail Park, em Monção (10.500 m2), estando previstas novas aberturas para o próximo ano. As rendas prime situam-se nos 100 euros/m2/mês nos centros comerciais e nos 10 euros/m2/mês nos retail parks.

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