Investimento imobiliário comercial recupera para níveis pré-covid em 2022, aponta CBRE

O impacto da pandemia nos diversos setores do imobiliário comercial foi diferenciado e a recuperação do mercado deverá também ser desigual, estima a consultora, acentuando que nos ativos de logística, habitação multifamiliar e escritórios prime nos principais mercados, “o apetite continua forte” devendo este interesse “manter-se em 2021”.

O volume de investimento imobiliário comercial europeu deverá começar a recuperar em 2021, após uma quebra de 25% em 2020, e atingir os níveis pre-covid até à segunda metade de 2022, divulgou hoje a consultora CBRE.

O impacto da pandemia nos diversos setores do imobiliário comercial foi diferenciado e a recuperação do mercado deverá também ser desigual, estima a consultora, acentuando que nos ativos de logística, habitação multifamiliar e escritórios prime nos principais mercados, “o apetite continua forte” devendo este interesse “manter-se em 2021”.

Já no que diz respeito aos ativos de hotelaria e retalho secundários, o “EMEA Real Estate Market Outlook 2021”, recentemente publicado pela CBRE, estima que no curto prazo deverão ocorrer “algumas vendas forçadas”.

“Os setores de hotéis e de lazer e entretenimento irão manter-se sob pressão no futuro próximo”, refere a consultora em comunicado, assinalando, contudo, que, os ativos operacionais com características mais resilientes, como a saúde, “terão melhores resultados”, porque “os ativos onde o negócio imobiliário e operacional é capaz de associar-se de forma mais colaborativa terão melhor desempenho”.

Para o conjunto do ano de 2020, a consultora antecipa uma quebra de 25% no volume de investimento imobiliário comercial europeu, apontando para um aumento entre 5% e 10% para 2021 e a retoma aos níveis anteriores à pandemia de covid-19 até à segunda metade de 2022, “contanto que os prazos de vacinação atualmente previstos se confirmem”.

“Claramente, a pandemia de covid-19 criou enormes disrupções nos mercados imobiliários em 2020, provocando um fim abrupto no ciclo económico que se vivia”, salienta Cristina Arouca, Head of Research Portugal da CBRE, acentuando que, como sucede “em todas as crises, os impactos e a recuperação não serão uniformes em todos os setores e geografias”.

Citada no comunicado, Cristina Arouca observa que “novas oportunidades surgirão, e a expectativa de implementação de um plano de vacinação em breve” faz acreditar “numa recuperação sustentável com a entrada em 2021”.

No segmento de escritórios, a CBRE assinala que a procura caiu 40% nos três primeiros trimestres de 2020 face ao mesmo período de 2019, com o recuo a refletir as medidas de confinamento impostas por causa da pandemia.

Para 2021, espera “alguma recuperação” com “a procura por produtos de qualidade com oferta de comodidades, em zonas centrais das cidades”, mas as taxas de disponibilidade deverão continuar a aumentar em toda a Europa, o que acentuará a pressão sobre o valor das rendas observado desde o primeiro trimestre de 2020.

Ainda neste segmento de mercado, a estimativa da CBRE é que os ocupantes executem estratégias de ‘workplace’ mais ágeis, posicionando-se com alternativas de espaços de trabalho mais diversificadas.

“Alguns irão reduzir o espaço ocupado no escritório, apoiar o aumento do trabalho remoto e começar a introduzir modelos de trabalho baseados em escolhas, incluindo uma maior utilização de espaços flexíveis”, refere o estudo.

Acrescenta que “os impactos não serão imediatos, nem generalizados, mas poderão refletir-se em alguma redução na procura para arrendamento, a qual, no entanto, poderá ser compensada por uma retoma do crescimento económico, níveis mais reduzidos de densidade de ocupação do espaço, e uma preferência crescente por edifícios de qualidade superior e com melhores condições tecnológicas e de bem-estar”.

O crescimento que a pandemia deu ao comércio ‘online’ deverá acentuar-se e continuar a impulsionar a procura por espaços de logística em 2021, indica ainda a consultora.

“A CBRE estima que a renda prime de logística aumente a uma taxa de 1,9% ao ano no período 2020-2024, com um maior acréscimo nas rendas em localizações urbanas, devido à escassez de terrenos e uma maior procura por parte de ocupantes para o comércio eletrónico”, detalha o documento.

A resiliência que ativos imobiliários destinados a habitação multifamiliar e Data Centres mostraram durante a crise causada pela pandemia deverá manter-se, com a CBRE a antecipar que o investimento em habitação familiar atinja níveis recorde em 2021 e um recorde da capacidade em novos ‘data center’.

A consultora divulgará em janeiro o seu relatório anual com as tendências do mercado português para 2021.

Recomendadas

ORES Portugal compra três hipermercados por 26,2 milhões que alugará ao Continente

Os três ativos imobiliários são objeto de contratos de arrendamento de longa duração com o Continente, do grupo Sonae, segundo um comunicado da SIGI do Bankinter e da Sonae Sierra.

Renda média da habitação com aumento homólogo de 320 euros em novembro

Em relação a novembro de 2021, os valores das rendas mais do que duplicaram em Évora (111,3%), que passou a ser o terceiro distrito mais caro (1.234 euros) depois do Porto e Lisboa, onde o valor da renda chega quase aos dois mil euros.

Avaliação das casas desceu para 1.420 euros\m2 em outubro

Este valor representa uma ligeira descida de nove euros (-0,6%) face ao mês anterior, tendo em termos homólogos se fixado nos 13,5%, em comparação com os 15,6% de setembro.
Comentários