Irão: Human Rights Watch alerta para milhares de ativistas detidos em perigo

A Human Rights Watch (HRW) acusou hoje as autoridades iranianas de intensificarem a repressão de protestos e falsas acusações contra milhares de ativistas detidos e alvo de julgamentos fictícios.

“O aparelho de segurança vicioso do Irão utiliza força letal contra manifestantes, detenção e difamação de defensores dos direitos humanos e jornalistas, e julgamentos fictícios para esmagar a dissidência generalizada”, disse Tara Sepehri Far, investigadora sénior iraniana da HRW.

“No entanto, cada nova atrocidade apenas reforça a razão pela qual os iranianos exigem mudanças a uma autocracia corrupta”, adiantou.

Na segunda-feira, as autoridades judiciais iranianas revelaram ter emitido cerca de 1.000 acusações contra os detidos nos protestos, protagonizados sobretudo por jovens e mulheres, após a morte, a 16 de setembro, de Mahsa Amini, jovem que estava detida pela polícia sob a acusação de não ter o véu islâmico colocado devidamente.

A repressão tem vindo a endurecer, especialmente nas universidades, após a Guarda Revolucionária ter exigido, no sábado passado, o fim dos protestos.

A 29 de outubro, o Ministério dos Serviços Secretos iraniano e a Organização dos Serviços Secretos da Guarda Revolucionária Islâmica acusaram duas jornalistas detidas de participarem num curso de formação ministrado por entidades apoiadas pelos serviços secretos norte-americanos, mas não publicaram quaisquer provas para apoiar a sua acusação.

Estas jornalistas relataram a morte de Mahsa Amini sob custódia policial.

“A comunidade internacional deve estar particularmente atenta à situação daqueles que estão detidos e daqueles em risco de serem condenados à morte”, disse Sepehri Far.

“Exigir a libertação incondicional e o fim dos julgamentos fictícios de todos aqueles que foram detidos por dissidência pacífica deve ser uma prioridade fundamental”, adiantou a ativista da HRW.

Uma rede informal de ativistas dentro do Irão, conhecida como o Comité Voluntário de Acompanhamento da Situação dos Detidos, afirmou que a partir de 30 de outubro, para além das detenções em massa de manifestantes, as autoridades prenderam 130 defensores dos direitos humanos, 38 defensores dos direitos das mulheres, 36 ativistas políticos, 19 advogados e 38 jornalistas, a maioria dos quais permanece detida.

Segundo o grupo, as autoridades também prenderam 308 estudantes universitários e 44 crianças. Durante as últimas três semanas, as forças de segurança atacaram universidades com uso excessivo da força, incluindo gás lacrimogéneo, e prenderam estudantes.

As autoridades também interrogaram e confiscaram os passaportes de dezenas de figuras públicas que apoiaram os protestos, incluindo atores, cantores e jogadores de futebol.

Desde 16 de setembro, os protestos espalharam-se por pelo menos 133 cidades e 129 universidades, bem como a várias escolas secundárias, de acordo com a Human Rights Activists News Agency (HRANA).

Grupos de direitos humanos estão a investigar informações sobre a morte de pelo menos 284 pessoas, incluindo 45 crianças. Dezenas de elementos das forças de segurança foram também alegadamente mortos, de acordo com os meios de comunicação estatais.

A HRW documentou o uso de força excessiva ou letal por parte das forças de segurança, incluindo espingardas de caça, de assalto e armas de mão contra manifestantes em locais frequentemente pacíficos e lotados, em 13 cidades por todo o país.

As autoridades iranianas sujeitaram os detidos a várias formas de tortura física e psicológica e outros maus-tratos. Duas mulheres detidas durante os protestos na província do Curdistão disseram à HRW que as autoridades as torturaram, incluindo espancamentos, choques elétricos, agressões sexuais, verbais e ameaças.

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