Impacto das sanções dos Estados Unidos prejudica cooperação com Portugal, diz embaixador iraniano

Mortza Damanpak Jami destaca que as relações comerciais podem sair afetadas, mas as culturais têm-se desenvolvido, com “muitas oportunidades e muitos programas ligados à cultura”.

O embaixador iraniano em Lisboa considerou em entrevista à agência Lusa que as sanções impostas pelos Estados Unidos ao seu país prejudicam as relações entre Portugal e o Irão, que remontam há mais de 500 anos.

Mortza Damanpak Jami afirmou que até 2017, as relações e trocas comerciais entre os dois países ascendiam a 65 milhões de euros, valor que, depois das sanções impostas pelos Estados Unidos na questão do programa nuclear iraniano, tem vindo a descer, situando-se em 2021 em torno dos doze ou 13 milhões de euros.

“O Irão e Portugal têm relações históricas de mais de 500 anos. Consideramos isso como um bem comum aos dois países para que se possa impulsionar as relações e esse tem sido o caso nas últimas décadas. Não há fronteiras para que a cooperação política, parlamentar, económica cultural possa crescer”, defendeu Jami.

No entanto, na cooperação comercial e económica, as comunidades empresariais e os governos, “apesar de quererem mais e melhor”, têm tido “alguns fatores que estão para lá da capacidade de resolução” do Irão.

“Contra aquilo que é o nosso desejo, o impacto das sanções impostas pelos Estados Unidos cria obstáculos ao reforço das relações bilaterais. Não há relações interbancárias, não existem rotas marítimas diretas com Portugal”, apontou.

Mas antes de 2018, quando o então presidente dos Estados Unidos Donald Trump “saiu do acordo e impôs sanções”, existiam “rotas marítimas entre os dois países”.

O diplomata, em Lisboa desde 2019, salienta que “por causa destes problemas técnicos e de logística” o volume das trocas comerciais desceu para “pouco ou nada”.

“O potencial é muito grande e as comunidades empresariais têm vontade de trabalhar, mas existem estes obstáculos das sanções”, sublinha.

Mortza Damanpak Jami destaca que as relações comerciais podem sair afetadas, mas as culturais têm-se desenvolvido, com “muitas oportunidades e muitos programas ligados à cultura”.

“Há muitos iranianos a viver em Portugal, na maioria estudantes universitários. São cerca de 500 a concluir licenciaturas, e investidores iranianos que vieram para Portugal iniciar atividades. Há uma comunidade importante de investidores. Numa estimativa por alto, vivem em Portugal cerca de 2.500 iranianos e este número está a crescer”, conclui.

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