Irão: Khamenei quer inquérito aprofundado aos incidentes no Sistão-Baluchistão

O líder supremo iraniano Ali Khamenei ordenou hoje o aprofundamento a um inquérito sobre os recentes incidentes na região do Sistão-Baluchistão que provocaram dezenas de mortos, anunciou fonte da equipa de investigação, que está na região.

“O pedido do Líder Supremo é agir com base em factos e em investigações supervisionadas pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional”, disse Mohammad-Javad Haj Ali Akbari, frisando que Khamenei prometeu o pagamento de indemnizações aos familiares das vítimas mortais e aos feridos que se demonstre serem inocentes.

“Segundo a opinião explícita do líder supremo, aqueles que foram inocentemente espancados serão considerados mártires e os que foram feridos como veteranos verão o caso tratado pela Fundação dos Mártires”, sublinhou Ali Akbari.

A fundação tem por objetivo socorrer vítimas ou familiares das vítimas, soldados e civis, que morreram ou ficaram feridos durante combates.

A delegação liderada por Ali Akbari, enviada por Ali Khamenei, visitou a província oriental do Sistão-Baluchistão no fim de semana para “expressar a dor e a tristeza” do líder supremo após os incidentes que mataram dezenas de pessoas desde 30 de setembro.

Em Zahedan, capital da província onde chegou na noite de sábado, Ali Akbari declarou no domingo que veio também à região para investigar os incidentes ocorridos, na sequência de um outro inquérito mandado instaurar pelo Presidente iraniano, Ebrahim Raisi, que será agora aprofundado.

Na passada sexta-feira, centenas de homens em fúria manifestaram-se após as tradicionais orações das sextas-feiras nas ruas da província do Sistão-Baluchistão, no sudeste do Irão, apelando à morte do ayatollah Khamenei.

Num vídeo divulgado pela organização não-governamental Iran Human Rights (IHR), com sede em Oslo, foi possível ouvir palavras de ordem como “morte a Khamenei” proferidas por vários homens em fúria, registando-se idênticos protestos noutras cidades da província, que foram duramente reprimidos pelas forças de segurança, que dispararam granadas de gás lacrimogéneo para os dispersar.

Tudo começou a 30 de setembro, em Zahedan, quando as forças de segurança dispararam contra manifestantes que protestavam contra a violação sexual de uma jovem de 15 anos atribuída a um agente da polícia, provocando, indicou a IHR, a morte a 92 pessoas.

O dia, consideraram várias organizações de defesa dos direitos humanos, foi apelidado como “sexta-feira sangrenta”.

O Sistão-Baluchistão, região empobrecida e habitada pela minoria baluchi, que é sunita e não xiita, dominante no Irão, é, por essa razão, vítima de discriminação, indicam vários ativistas dos direitos humanos e também a IHR.

Figuras locais falaram de tensões causadas por relatos de “violação sexual” de uma jovem por um agente da policia provincial e acusaram as forças de segurança de terem “disparado” contra pessoas reunidas perto da mesquita de Zahedan.

As autoridades locais demitiram dois altos funcionários da segurança da região, incluindo o chefe de polícia de Zahedan, após a publicação de uma investigação, realizada a pedido do Presidente iraniano, que confirma uma “negligência por parte de certos oficiais” que levou à morte de civis “inocentes”.

A 04 deste mês, segundo a Amnistia Internacional (AI), 18 pessoas, incluindo duas crianças, foram mortas em Khash durante a repressão a “manifestações pacíficas de grande escala”, em que as forças policiais utilizaram balas reais para dispersar os protestos.

A AI diz ter documentado os nomes de pelo menos 100 manifestantes mortos pelas forças de segurança do Sistão-Baluchistão desde 30 de setembro, mas acredita que o número real é muito maior.

A AI apelou à comunidade internacional para que “tome medidas urgentes para acabar com mais assassínios de manifestantes” na província de Sistão-Baluchistão e no resto do Irão.

Os protestos no Sistão-Baluchistão seguem-se às manifestações pela morte de Mahsa Amini, uma jovem curda de 22 anos, que foi morta a 16 de setembro, três dias depois de ter sido detida pela “polícia da moralidade”, que a acusou de ter quebrado o rígido código de vestuário que exige que as mulheres usem o véu em público.

O movimento de protesto, desencadeado em meados de setembro pela revolta das mulheres contra a exigência de uso do véu, é dirigido contra o regime religioso, que enfrenta um desafio sem precedentes desde a Revolução Islâmica de 1979.

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