Irão. O último grande mercado por explorar

O recente acordo histórico sobre o levantamento das sanções económicas ao Irão gerou um potencial de exportação em alguns setores fundamentais, nomeadamente o da maquinaria, químicos e transporte. O Irão poderia ser o último mercado fronteiriço inexplorado que oferece um potencial de milhares de milhões de dólares, mediante o restabelecimento do comércio internacional com a […]


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O recente acordo histórico sobre o levantamento das sanções económicas ao Irão gerou um potencial de exportação em alguns setores fundamentais, nomeadamente o da maquinaria, químicos e transporte.

O Irão poderia ser o último mercado fronteiriço inexplorado que oferece um potencial de milhares de milhões de dólares, mediante o restabelecimento do comércio internacional com a segunda maior economia do Médio Oriente, frisa a análise elaborada pelo departamento de Estudos Económicos da Crédito y Caución,

No entanto, não existem garantias de uma solução a longo prazo e a transação será grande e complicada. Assim, a recomendação deste grupo de trabalho às empresas interessadas em reiniciar relações comerciais com o Irão é “paciência e precaução” .

Oportunidades
Isolado do comércio mundial, devido ao endurecimento das sanções durante os últimos anos, o comércio com o Irão poderá criar negócios de sucesso  quer para as empresas locais, quer para as estrangeiras,

Se por um lado, a indústria iraniana se encontra a utilizar apenas 60% ou 70% da sua capacidade, prejudicada por uma tecnologia desatualizada e uma economia instável devido às sanções, e por outro, é incontornável o facto de o Irão ser um exportador significativo de petróleo e gás natural.

Na realidade, em comparação com o resto do Médio Oriente, o seu potencial de diversificação é muito mais alargado. A agricultura e o turismo são setores potenciais de crescimento, e a corrida para modernizar o país também iria gerar investimento a grande escala em infraestruturas.

Antes do estabelecimento das sanções da União Europeia, em 2012, a maquinaria e o material de transporte, assim como os químicos, eram os principais produtos de exportação para o Irão. O departamento de Estudos Económicos da Crédito y Caución estima que estes setores sejam de crescimento mais rápido para as empresas ocidentais que regressem ao país.

Ainda numa outra perspetiva, importa reter que o mercado de consumo do Irão é de quase 80 milhões de pessoas que, na sua maioria, são altamente qualificadas. O poder de compra dos consumidores é elevado, com uma grande procura de produtos ocidentais, especialmente eletrónica de consumo, bens duradouros e serviços, telecomunicações e finanças. Por outro lado, atualmente, o nível de alavancagem das famílias é baixo, graças à ausência de cartões de crédito e de atividade bancária estrangeira.

Durante os primeiros anos do século, o crescimento das exportações da zona euro para o Irão mostrou uma tendência comparável aos Emirados Árabes Unidos ou à Arábia Saudita, os dois principais destinos de exportação da região. Como ficou evidente nas relações comercias com empresas iranianas antes da última leva de sanções, o Irão contava com um comportamento de pagamentos particularmente sólido. As linhas de crédito de empresas que vendiam os seus produtos e serviços a empresas iranianas cobertas por seguros da Crédito y Caución ascendiam a 272 milhões de euros em 2005. Contudo, 2006 representou um ponto de viragem, quando o Conselho de Segurança da ONU impôs as primeiras sanções ao comércio, que se foram intensificando, especialmente em 2010.

Riscos  
Apesar do histórico acordo, estes tempos serão inevitavelmente de especulação e incerteza. Com as sanções, algumas empresas iranianas de todos os setores industriais estabeleceram grandes quotas de mercado nacional perante a ausência de concorrência estrangeira. E estas empresas terão um tempo muito reduzido para se adaptar e aumentar a sua competitividade internacional.

A nova concorrência resultante da entrada do Irão no mercado mundial também afetaria outros estados do Golfo. Por exemplo, as exportações de petróleo iraniano para o Ocidente prejudicariam diretamente as exportações da Arábia Saudita durante um ano de défices sem precedentes, devido à descida dos preços de petróleo. Adicionalmente, os mercados de ações árabes encontram-se em processo de reforma, pelo que a desenvolvida Bolsa de Teerão concorreria por capital estrangeiro.

Como já se verificou no passado, se o Irão não cumprir as suas obrigações nucleares e de transparência, as sanções serão restabelecidas imediatamente, o que poderá levar a milhares de milhões de dólares em multas aplicadas por violação das sanções e no restabelecimento das restrições bancárias, suspendendo os pagamentos internacionais de e para o Irão, pelo que seria impossível realizar a cobrança a empresas iranianas, mesmo que estas estivessem comprometidas em pagar a sua dívida.

 

Por Sónia Bexiga/OJE

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