Irão rejeita que drones fornecidos à Rússia fossem destinados à invasão da Ucrânia

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano garante que o fornecimento de munições vagantes Shahed-1, os chamados drones ‘kamikaze’, à Rússia foi feito meses antes do arranque da invasão da Ucrânia, prometendo “não ficar indiferente” caso se confirme a sua utilização no leste europeu.

O Irão confirmou este sábado ter fornecido drones ‘suicidas’ à Rússia, mas ressalva que tal aconteceu meses antes da invasão da Ucrânia, com Teerão a reforçar a sua imparcialidade no conflito. Através do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, o gigante persa negou ainda o envio de mísseis terra-a-terra para os parceiros russos.

O ministro iraniano Hossein Amirabdollahian, responsável pela pasta dos negócios estrangeiros, afirmou este sábado que o regime de Teerão forneceu, de facto, munições vagantes Shahed-1 a Moscovo, os chamados drones ‘kamikaze’, mas esclarece que a entrega ocorreu meses antes do início da invasão da Ucrânia, reporta a ‘Al-Jazeera’.

Amirabdollahian respondia a comentários por responsáveis diplomáticos e de defesa ocidentais de que o Irão estaria a fornecer estes equipamentos ao invasor russo, bem como mísseis terra-a-terra, algo que os iranianos desmentem. Apesar de reconhecer uma “cooperação” no capítulo da Defesa com a Rússia, o ministro iraniano reiterou que Teerão não apoia formalmente nenhum dos lados envolvidos no conflito no leste europeu.

O ministro garantiu ainda que aguarda o envio de provas por parte de Kiev da efetiva utilização destes drones na invasão iniciada a 24 de fevereiro pela Federação Russa, frisando que “não ficará indiferente” caso tal se confirme.

O Irão, um dos países mais sancionados internacionalmente, viu as limitações impostas à sua economia e algumas das suas figuras políticas agravadas como consequência deste alegado fornecimento de munições a Moscovo.

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