Iraque: possível ‘reforma’ de al-Sadr faz aumentar confrontos

O líder xiita anunciou que se retira da política iraquiana mas, como era de esperar, isso só serviu para que os seus partidários insistissem nos confrontos contra o atual regime.

O líder xiita Muqtada al-Sadr anunciou que se retira da política iraquiana no meio da cada vez maior tensão entre os seus partidários e a outra fação xiita, esta apoiada pelo Irão, mas, como os analistas anteciparam, a decisão – que ninguém sabe se é definitiva ou não – só veio aumentar a tensão política.

Os seus apoiantes continuam as manifestações que exigem que o parlamento seja dissolvido e que o Supremo Tribunal anuncie a realização de eleições antecipadas. A declaração de al-Sadr, publicada no Twitter esta segunda-feira, ocorre no meio de meses de protestos dos seus partidários – que se queixam que o atual parlamento, de que o partido de al-Sadr se retirou unilateralmente, não têm força para impor um governo representativo.

“Anuncio a minha retirada final”, escreveu al-Sadr, anúncio que foi rapidamente recebido com uma escalada dos protestos, que, segundo as agências internacionais, invadiram o Palácio da República, um edifício cerimonial dentro da fortificada Zona Verde de edifícios governamentais de Bagdad e que abriga o gabinete do primeiro-ministro.

Na tentativa de serenar os ânimos, o exército anunciou um recolher em Bagdad, que entrou em vigor às 15h30 (12h30 em Lisboa).

Para os analistas, a decisão de al-Sadr não é mais que uma tentativa extrema para convencer as restantes forças partidárias a aceitarem o repto que lhes lançou há dois dias para que todos aceitem desistir de cargos no governo e consequentemente empurrar o país ppara novas eleições.

Recorde-se que o partido de Al-Sadr, o Bloco Sadrista, conquistou a maioria nas eleições de outubro de 2021, mas renunciou em junho, depois de não conseguiu formar um governo – dada a oposição dos xiitas com ligação ao Irão conventrados na Coordination Framework Alliance, que acabou por transformar-se a maior força parlamentar, que apoia Mustafa al-Kadhimi, o primeiro-ministro interino.

Segundo reportagem da Al Jazeera, estes meses de confrontação resultaram desde já na supressão de uma série de serviços públicos que já estão a exercer forte impacto junto da população iraquiana.

Entretanto, o Supremo Tribunal Federal do Iraque reunirá esta terça-feira para decidir se o parlamento será ou não dissolvido, embora Farhad Alaaldin, presidente do Conselho Consultivo do Iraque, tenha dito à Al Jazeera que a Cnstituição iraquiana diz que “cabe ao parlamento dissolver-se a sí próprio”, o que se tem revelado para já impossível.

Alaaldin disse que é improvável que al-Sadr se afaste definitivamente da política iraquiana. “Ele quer ver o Iraque à sua uma maneira” e para isso vem  trabalhando sistematicamente desde 2006. “Não acredito que vá deitar fora tudo o que fez nos últimos 18 anos apenas com um tweet”, disse.

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